Coronavírus: Os atos de gentileza durante a pandemia

Voluntários têm se mobilizado para tornar a vida em quarentena um pouco melhor

Lianne Kolirin e Aleesha Khaliq da CNN em Londres
26 de março de 2020 às 15:31
Biscoitos usam máscara de proteção em uma vitrine na cidade de Dortmund, Alemanha
Foto: Leon Kuegeler/Reuters (26.mar.2020)

Distanciamento social, isolamento — não há muitos motivos para estar feliz neste momento.

Nesta segunda (23), o Reino Unido se tornou mais um país a limitar a movimentação da população para conter a transmissão do novo coronavírus. O primeiro-ministro Boris Johnson proibiu que as pessoas deixassem suas casas, exceto por motivos essenciais.

No entanto, as novas medidas de contenção também inspiraram muitas pessoas a ajudarem suas comunidades, e as redes sociais estão cheias de ofertas de ajuda e apoio a quem precisa e aos trabalhadores da linha de frente no combate à COVID-19.

Até esta quinta (26), mais de meio milhão de pessoas responderam ao chamado do governo britânico para serem voluntários para o Sistema Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês), de acordo com o secretário de Saúde Matt Hancock. O governo esperava conseguir ao menos 250 mil pessoas.

Longe das cenas histéricas dos supermercados com prateleiras vazias e pessoas lutando na fila dos caixas, estão grupos e indivíduos atenciosos, que estão fazendo o possível para fazer a diferença.

Ravinder Singh, fundador e diretor executivo da Khalsa Aid, uma organização de ajuda humanitária, tem distribuído comida para hospitais em Londres e em Slough, no sudeste inglês, com a ajuda de 25 voluntários.

A maior parte da comida foi doada por restaurantes, disse Singh à CNN. A ONG já entregou 35 caixas de tomates, 80 fornadas de pães e 100 kg de vegetais à equipe médica da NHS.

A resposta tem sido "absolutamente fantástica", contou Singh, adicionando que médicos e enfermeiros têm sido gratos por receberem suprimentos adicionais.

"Eles estão se colocando em risco, acho que é a hora de os reconhecermos como heróis", afirmou ele.

Charlotte Bredael, 18, de Newcastle, no nordeste da Inglaterra, tem um pequeno negócio em que ela vai à festas e eventos infantis vestida como princesas.

Bredael viu publicações no Facebook de pais com crianças arrasadas com o cancelamento de suas viagens à Disneylândia.

"Eu pensei que, já que as crianças não poderiam conhecer as princesas pessoalmente na Disney, poderiam se sentir um pouco melhores se recebessem um vídeo delas", disse ela à CNN.

Escolas no Reino Unido foram fechadas na semana passada para a maioria das crianças, exceto aquelas cujos pais fazem trabalhos essenciais.
Bredael está gravando vídeos de sua casa vestida como princesas da Disney para pequenos que estejam se sentindo desanimados.

"Eu já recebi mensagens de pais dizendo que esses vídeos fizeram o dia de seus filhos, o que me deixa muito feliz", contou. Bredael já filmou 20 vídeos e quer continuar produzindo.

Josh Ezekiel é um estudante do terceiro ano de engenharia química na Universidade de Bath (aproximadamente 185 km de Londres). Desde que suas aulas foram suspensas, mais cedo neste mês, Ezekiel se ofereceu para monitorias remotas em matemática, física e química, priorizando estudantes de baixa renda.

Dias depois, o premiê Boris Johnson anunciou o cancelamento nacional das provas, mas Ezekiel ainda está lecionando online, gratuitamente. "Sou muito sortudo porque estou produzindo uma pesquisa agora, mas é feita por um programa no computador, então posso estar longe do laboratório", disse o aluno, de 20 anos. "Tiveram muitas pessoas que me contataram, e com o cancelamento das provas, acho que muitos pais pensaram que seus filhos já teriam pausado os estudos".

Até o anúncio de quarentena nesta segunda, Úrsula Stone estava fazendo buquês de flores e deixando-os nas portas dos londrinos.

Stone cria arranjos com flores que foram descartadas por mercados e outros locais após "passarem da validade". Na época, Stone disse à CNN que esperava que as flores "trouxessem um pouquinho de alegria para a vida das pessoas".

Com a imposição de medidas mais restritas no Reino Unido, ela teve de interromper a produção.

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