Governo retém carga de respiradores comprados pela Macedônia do Norte

Autoridades brasileiras alegaram ter o direito de reter aparelhos diante de pandemia

André Spigariol Da CNN, em Brasília
08 de abril de 2020 às 18:00
O Ministério da Saúde reteve uma carga de 50 respiradores adquiridos pela Macedônia do Norte junto à empresa Magnamed no mês passado. Mesmo após um apelo do embaixador Ivica Bocevski, representante do país em Brasília, a decisão brasileira foi a de não enviar a carga para a Europa. 

“São apenas 50 respiradores, mas é uma grande quantidade para a Macedônia. Somos um país de dois milhões de habitantes e nos aproximamos do período crítico da epidemia”, disse Bocevski à CNN. “Mas nós entendemos a situação do Brasil e compreendemos a decisão do Ministério da Saúde. Para nós, a pior situação seria a de ter estes respiradores parados no aeroporto. Queremos eles nos hospitais aqui”, concordou, ressaltando que a decisão brasileira não afeta as relações entre os dois países.

“Esperávamos uma decisão diferente, mas as relações macedônio-brasileiras são excelentes e Brasil é o nosso parceiro principal na América Latina”, diz. “Entendemos perfeitamente que as autoridades brasileiras precisam cuidar dos cidadãos brasileiros, seu bem-estar e saúde, no momento grave de todo o mundo”, encerrou. 

A CNN teve acesso à minuta de um ofício do Ministério da Economia que responde à demanda do país balcânico. No texto, a pasta argumenta que o Ministério da Saúde “poderá requerer bens e serviços de pessoas naturais e jurídicas, com a garantia de pagamento posterior de indenização justa, no contexto da presente emergência de saúde pública”, de acordo com a lei que regulamenta a emergência de saúde por conta da COVID-19.