Aprovação de Trump cai; Sanders sai

Sanders reconheceu que é “virtualmente impossível” superar a diferença de cerca de 300 delegados a favor do ex-vice-presidente Joe Biden

Lourival Sant'Anna
Por Lourival Sant'Anna, CNN  
09 de abril de 2020 às 00:13 | Atualizado 09 de abril de 2020 às 00:16
O democrata Bernie Sanders fala sobre o coronavírus em Burlington (EUA)
O democrata Bernie Sanders fala sobre o coronavírus na cidade de Burlington (EUA)
Foto: Caleb Kenna - 12.mar.2020/Reuters
O senador Bernie Sanders finalmente saiu nesta quarta-feira da corrida pela candidatura democrata à presidência. O anúncio coincidiu com a divulgação de uma pesquisa da CNN que indica queda na aprovação dos americanos à forma como o presidente Donald Trump conduz a campanha contra o coronavírus.

Sanders reconheceu que é “virtualmente impossível” superar a diferença de cerca de 300 delegados a favor do ex-vice-presidente Joe Biden. O pesquisador Leonardo Paz, do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da FGV, fez uma observação interessante:  Sanders é forte nos comícios, no corpo a corpo, e era aí que ele via alguma chance de reverter a desvantagem. Com a pandemia, isso deixou de existir.

As atenções agora se voltam para quem Biden escolherá para sua chapa. Ele tem 78 anos e, se eleito, será o presidente mais velho da história dos EUA. Na próxima eleição presidencial, terá 82 anos. No debate com Sanders promovido pela CNN, no dia 15 de março, Biden prometeu convidar uma mulher. O perfil de sua vice indicará se Biden pretende fincar os dois pés no terreno moderado, ao qual ele pertence, ou se tentará atrair o eleitor mais à esquerda, órfão — pela segunda vez — de Sanders.

Nessa linha, Biden poderia por exemplo chamar a senadora Kamala Harris, da Califórnia, a única mulher negra atualmente com cargo de governadora ou senadora. Como pré-candidata, Harris chegou a atrair bastante apoio no início da corrida democrata. Ela foi procuradora de Justiça, experiência que ajudaria no papel de atacar a oposição, uma tradicional atribuição de vice-presidente, observa Aaron Blake, repórter de política do jornal "The New York Times".

Já se preferir uma opção mais moderada, Biden poderia lançar mão da senadora Amy Klobuchar, do Minnesota, que ao sair da disputa e apoiar o ex-vice-presidente no dia 2 de março deu um bom impulso à campanha dele. Klobuchar poderia ajudar a atrair o voto do Meio Oeste americano, que inclui estados decisivos, como Michigan e Wisconsin. E, assim como Harris, tem uma boa retórica — um ponto fraco de Biden.

A pandemia do coronavírus colocou uma pausa na campanha e deu ainda mais evidência ao presidente Trump, que está todos os dias na TV anunciando medidas. Mas ela também está cobrando um preço do presidente.

Pesquisa realizada pela empresa SSRS, a pedido da CNN, indica que agora 55% dos americanos consideram que Trump poderia estar fazendo mais para conter a proliferação do coronavírus — 8 pontos percentuais a mais do que uma semana atrás. Agora 52% reprovam a condução da crise por Trump, enquanto 45% aprovam. Um mês atrás, as opiniões desfavoráveis representavam 48% e as favoráveis, 41%. Na época, a fatia de pessoas que não tinham certeza era maior: 11%. Agora, sãos 3%.

Com o passar do tempo, os americanos parecem mais conscientes da ameaça representada pela pandemia. Enquanto 37% dizem estar mais preocupados agora do que nos últimos dias, apenas 5% declaram se sentir mais tranquilos. 

Na média das pesquisas do site especializado Realclearpolitics, Biden derrotaria Trump se as eleições fossem hoje por 49,7% a 43,4% no voto popular. Mas, como sabemos, não é o voto popular que decide as eleições presidenciais americanas, e sim um colégio eleitoral. E, acima de tudo, ainda há muita água para rolar até novembro.