Mulher que deu à luz em coma por coronavírus abraça filha pela primeira vez

Angela Primachenko acordou quando a bebê já tinha cinco dias; as duas só puderam ficar juntas, no entanto, após a mãe testar negativo para COVID-19

Ellen Kobe e Faith Karimi, da CNN
17 de abril de 2020 às 12:04
Angela Primachenko abraça a filha Ava, de 5 dias; a bebê nasceu enquanto ela estava em coma por causa do novo coronavírus
Foto: Reprodução/ angela_primo/ Instragram

Angela Primachenko pegou seu bebê em seus braços pela primeira vez nesta semana. Essa jovem de 27 anos entrou em coma induzido quando estava com 34 semanas de gravidez enquanto enfrentava a infecção pelo novo coronavírus.

Quando ela acordou, sua filha, Ava, já tinha 5 dias, mas ela não pode segurá-la até receber o resultado negativo para a COVID-19, doença causada pelo novo coronavírus – o que aconteceu, finalmente, na quarta-feira (15).

"Chorando agora. Nosso pequeno raio de sol está incrível!", afirmou em sua conta no Instragram.

Primachenko vive em Vancouver, Washington, estado americano que ganhou destaque quando a epidemia de coronavírus começou nos Estados Unidos. É onde o primeiro caso da doença no país foi anunciado em 21 de janeiro, onde ocorreu a primeira morte do país e onde dezenas morreram em um lar de idosos no início da pandemia.

Como muitas outras pessoas que foram infectadas pelo novo coronavírus, os sintomas dessa terapeuta respiratória começaram com uma tosse que evoluiu para uma febre constante. "Ela sabia do risco", disse Oksana Luiten, sua irmã gêmea. "Ela tomou todas as precauções."

Sua família a incentivou a fazer o teste e, nos dois dias em que esperou uma resposta, sua saúde piorou progressivamente. O resultado: positivo para COVID-19.

"Por ser terapeuta respiratório – ou apenas ser humano, eu acho – sabia que não podia continuar respirando daquele jeito e sobreviver", disse Primachenko.

Em 26 de março, ela entrou na UTI do hospital que a emprega, disse a irmã. Três dias depois, ela foi colocada em um respirador – a mesma máquina que usou inúmeras vezes em pacientes.

"Quando você está doente, está apenas lutando pela vida", disse Primachenko. "Meu foco não era o medo; era apenas superar isso."

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Enquanto ela estava em coma no hospital, a equipe médica se reuniu por uma hora para decidir como lidar com a gravidez. Os médicos sugeriram a indução do trabalho de parto para dar folga aos pulmões e mais nutrientes ao corpo, de acordo com a irmã.

Primachenko deu à luz uma menina saudável por via vaginal em 1º de abril e, quatro dias depois, sua saúde piorou muito. "Na verdade, estávamos com medo de perder nossa irmã naquele dia", disse Luiten – as gêmeas tem outros oito irmãos..

Mas no dia seguinte, o corpo de Primachenko reagiu e ela saiu da UTI. Enquanto era conduzida pelos corredores do hospital, a equipe médica a aplaudiu.

Ela foi para casa com o marido e a filha de 11 meses, Emily, mas Ava permaneceu na UTI neonatal até Primachenko ter um resultado negativo para o coronavírus. “Ava irá para casa com sua família neste fim de semana”, disse a mãe orgulhosa.