Casas de repouso de NY serão investigadas por forma como lidam com pandemia

Governador Andrew Cuomo anunciou que se locais não seguirem determinações, podem ser multados ou perder a licença

Da CNN, em São Paulo
24 de abril de 2020 às 09:31
Governador de Nova York, Andrew Cuomo
Foto: Mike Segar - 24.mar.2020/ Reuters

O governador de Nova York, Andrew Cuomo, disse que as casas de repouso, muito atingidas pela pandemia do novo coronavírus, serão investigadas pela forma com que estão lidando com a doença. Ele informou nesta quinta-feira (23) que o processo será supervisionado, em conjunto, pelo departamento de saúde estadual e pela procuradoria-geral do estado.

Ele disse que esses locais precisam tomar todas as medidas possíveis para limitar a disseminação do vírus, alertando que as unidades que não seguirem as determinações podem ser multadas ou perder a licença.

“Se não puderem providenciar os cuidados, precisam transferir a pessoa”, afirmou Cuomo, acrescentando que os funcionários precisam medir a temperatura antes de entrar no local, devem estar com equipamentos de proteção individual e encaminhar os casos positivos da doença para quarentena.

Queda nas hospitalizações

O governador afirmou que o número de hospitalizações de pacientes com COVID-19 no estado norte-americano sofreu mais uma queda, mas destacou que esse valor ainda está em cerca de 1,3 mil, o que “não é uma boa notícia”.

Segundo ele, o número de mortos em Nova York ainda está alto e, nessa quarta-feira (22), mais 438 pessoas morreram no estado. “Esse número não está diminuindo tão rápido quanto gostaríamos”, afirmou Cuomo durante coletiva de imprensa. 

Assista e leia também:
Governador Cuomo diz que ápice da pandemia em NY já passou
Governador de NY diz que não diminuirá restrições mesmo se Trump ordenar

O governador disse também que quer uma redução no número de pessoas que estão saindo de casa, violando as medidas de restrição impostas para controlar a disseminação da doença. Apesar disso, ele afirmou que os números atuais já mostram que as políticas implementadas estão funcionando.

Cuomo alertou a população que a chegada do verão no país pode causar uma redução no número de casos do novo coronavírus, mas que ele pode retornar em uma nova onda de contaminação no inverno.

O democrata anunciou ainda que um estudo sobre testes de anticorpos realizados no estado indicam que o número de mortos pela COVID-19 pode estar abaixo do estimado. Cerca de 3 mil testes conduzidos apontaram que 13,9% dos moradores de Nova York já adquiriram anticorpos para a doença.

Críticas ao líder da maioria no Senado

Cuomo criticou o líder da maioria no Senado, o republicano Mitch McConnell, por sugerir que os estados deveriam declarar falência em vez de receber mais fundos federais.

O governador, que pediu diversas vezes ao Congresso mais repasses aos estados para cobrir os custos da crise da pandemia, afirmou que a sugestão de McConnell foi “uma das ideias mais idiotas de todos os tempos”. Para Cuomo, se os estados declararem falência pode haver “um colapso na economia nacional”.

Ele também chamou o republicano de “irresponsável” e “imprudente” por sugerir que a ajuda financeira para os estados representaria uma espécie de resgate para os estados democratas. “Se há uma hora para humanidade e decência, é agora”, disse Cuomo. 

Nessa quarta, o governador fez críticas à atuação do Brasil no combate à pandemia do novo coronavírus. Para ele, a estratégia adotada pelos governos brasileiro e sueco está levando a um alto índice de mortalidade por COVID-19. 

"Nesses países, você deixa acontecer. Quem for infectado, foi infectado. Quem morrer, morreu. Mas, dessa forma, muitas pessoas morrem", disse ele, após defender uma flexibilização gradual das medidas de isolamento social no estado, para evitar um aumento no número de casos da doença.

Segundo dados do Centro de Controle de Doenças dos EUA, o estado de Nova York tem 
250,8 mil casos confirmados de COVID-19 e mais de 15 mil mortes.