Casa Branca discute troca de secretário de Saúde em meio a pandemia

Fontes ouvidas pela CNN dizem que presidente Donald Trump pode usar Alex Azar como bode expiatório para os erros na gestão da crise do novo coronavírus

Jeremy Diamond, Jamie Gangel e Tami Luhby, da CNN
26 de abril de 2020 às 10:15
Fontes disseram que o governo de Donald Trump cogita trocar o secretário de saúde Alex Azar (2º à esq.)
Foto: Jim Watson - 6.mar.20/ AFP/ Getty Images

Funcionários da Casa Branca discutem planos para substituir o Secretário de Saúde e Serviços Humanos, Alex Azar, depois de uma série de críticas à forma como o governo americano reagiu inicialmente ao novo coronavírus, afirmou, à CNN, um membro do alto escalão do governo.

A mudança, no entanto, depende de uma decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, e, no momento, ainda não parece haver disposição do governo para fazer uma mudança como essa em meio à pandemia que atinge o país.

As discussões começaram depois que Trump nomeou o vice-presidente Mike Pence, em vez de Azar, como o homem-forte da Casa Branca para a resposta ao novo coronavírus. Além disso, o presidente expressou, em conversas privadas, sua frustração com a falta de comunicação de Azar sobre questões-chave, como chefe da força-tarefa da Casa Branca contra a COVID-19.

Azar também está em conflito com Seema Verma, chefe da agência federal que administra o programa Medicare – sistema de seguros de saúde gerido pelo governo –, uma aliada de Pence, que também está envolvida no enfrentamento à doença.

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À medida que o coronavírus se espalha pelo país, Trump tem sido criticado pela forma como lidou com a pandemia, especialmente pelos governadores – de ambos os partidos –, já que os estados sofrem com a falta de suprimentos críticos, enquanto o presidente parece querer avançar com a ideia de uma reabertura a partir de 1º de maio.

Atualmente, mais de 97% da população dos EUA está sob ordem de ficar em casa. Até este domingo (26), mais de 53 mil pessoas morreram do vírus no país e o número de casos se aproxima de 1 milhão.

Em um comunicado no sábado à noite, o vice-secretário da Casa Branca Judd Deere disse que o Departamento de Saúde e Serviços Humanos continua sob a liderança do secretário Azar. “Qualquer especulação sobre mudança de pessoal é irresponsável e uma distração da nossa resposta de todo o governo contra a COVID-19", afirmou.

A movimentação para substituir Azar foi revelada pelo jornal Wall Street Journal e pelo site especializado Politico.

O presidente dos EUA, Donald Trump, durante coletiva na Casa Branca sobre o novo coronavírus
Foto: Leah Millis - 13.abr.2020/ Reuters

"O secretário Azar está ocupado agindo contra uma crise global de saúde pública e não tem tempo para intrigas", disse a porta-voz do departamento de Saúde e Serviços Humanos, Caitlin Oakley, em resposta às reportagens.

Um membro sênior do Partido Republicano disse à CNN que as discussões sobre a possibilidade de trocar Azar não são surpreendentes porque ele está ameaçado no cargo há meses – em parte pelos problemas na pandemia do novo coronavírus, mas também por frustrar Trump anteriormente em outras questões, como o Obamacare, programa de saúde da gestão de Barack Obama que o atual presidente queria extinguir.

Outra fonte, próxima ao secretário, mas crítica de algumas de suas ações, disse acreditar que as conversas sobre a possibilidade de substituí-lo são provenientes de assessores próximos ao presidente que estão usando Azar como bode expiatório para os erros da Casa Branca, incluindo as declarações de Trump na semana passada de que desinfetante e luz solar seriam capazes de matar o vírus.

Essa segunda fonte disse que Azar é "um cara legal", que definitivamente cometeu erros, mas também está sendo usado para encobrir os próprios erros do presidente e a relutância de Trump em agir contra a pandemia por causa de suas preocupações com a economia.

Esta fonte também disse que o presidente recebe conselhos contraditórios sobre a demissão de Azar – algumas pessoas gostariam de substituí-lo, mas outras disseram que isso pareceria ruim e aumentaria o caos de COVID-19 no país.