Eleitor da Califórnia poderá votar por correspondência nas eleições americanas

A votação presencial em novembro continuará sendo uma opção, segundo governador Gavin Newsom

Cheri Mossburg e Caroline Kelly, da CNN
08 de maio de 2020 às 23:46
Governador da Califórnia, Gavin Newsom, anunciou medida em coletiva de imprensa.
Foto: Justin Sullivan/Getty Images

Os eleitores na Califórnia receberão uma cédula por correspondência para as próximas eleições de novembro, anunciou o governador democrata Gavin Newsom durante sua coletiva diária sobre a pandemia. A votação presencial continuará sendo uma opção. "A votação por correspondência é importante, mas não se trata de um substituto dos locais físicos", disse Newsom, alegando que algumas pessoas simplesmente não se sentem à vontade para enviar correspondências.

A medida, resultante de uma ordem executiva assinada por Newsom na sexta-feira passada, torna a Califórnia o primeiro estado a apresentar a votação por serviço postal como alternativa durante a pandemia do novo coronavírus, disse o secretário de Estado Alex Padilla. "Essa eleição está programada para ser a mais importante da nossa vida", acrescentou Padilla. "Continuamos comprometidos em oferecer o maior número possível de alternativas seguras para votação antes e no dia das eleições". A medida coincide com o primeiro dia da reabertura parcial da Califórnia.

O programa de votação por serviço postal marca a primeira vez na história da Califórnia que as cédulas serão enviadas a todos os eleitores registrados no estado, de acordo com o secretário de imprensa de Padilla, Sam Mahood.

O governador Newsom anunciou na segunda-feira que lojas de roupas, floristas e livrarias poderão oferecer serviços de coleta na calçada a partir do dia 8. Todas as reaberturas no estado estarão sujeitas a fiscalização, embora Newsom tenha notado que alguns condados poderão flexibilizar ainda mais se certificados por autoridades de saúde. "Nós lhes daremos esse direito com condições e modificações que atendam às necessidades de saúde de todo o estado", disse ele na segunda-feira. 

Os republicanos criticaram a decisão do governador da Califórnia, dizendo que a eleição agora é suscetível à fraude eleitoral. Eles tomaram medidas legais para interromper a decisão. O diretor de Comunicações da campanha de Trump, Tim Murtaugh, chamou a ação de "uma tática política mal disfarçada pelo governador Newsom para minar a segurança das eleições" e "uma ampla oportunidade aberta para fraude". "Todos estão preocupados com a segurança dos eleitores, mas pôr em risco a segurança das eleições é o caminho errado", disse ele em comunicado, afirmando que o estado "tem um histórico ruim" de manter sua lista de eleitores. 

O porta-voz do Comitê Nacional Republicano, Steve Guest, disse em comunicado que "estamos avaliando nossas opções legais para garantir a integridade das eleições". 

Outros estados estão buscando alternativas em meio à pandemia. Ohio realizou votação por correspondência no mês passado, após pelo menos 19 pessoas testando positivo para o coronavírus em Wisconsin após participarem das eleições primárias. 

Grupos com apoiadores que vão desde conservadores anti-Trump, bem como a ex-primeira-dama Michelle Obama, apoiaram a votação por correspondência para proteger a saúde e a segurança dos eleitores. Enquanto isso, o presidente Donald Trump liderou a acusação republicana contra o esforço. Os defensores do voto por correio apontam que vários estados, incluindo o estado de Utah dominado pelo Partido Republicano, já realiza suas eleições inteiramente por correio, e que diversos estudos não encontraram evidências de fraude generalizada nos eleitores.