Desemprego causado por pandemia pode deixar milhões sem seguro saúde nos EUA

Estudo aponta que, desse total, 5,7 milhões de pessoas podem ser obrigadas a arcar com o custo total de seus tratamentos médicos

Tami Luhby, da CNN
13 de maio de 2020 às 11:42
Moradores do Brooklyn e do Queens, em NY, aguardam em fila para receber ajuda; estudo diz que 27 milhões podem ficar sem seguro saúde
Foto: Mike Segar - 24.abr.2020/ Reuters

Quase 27 milhões de norte-americanos podem ter perdido o seguro de saúde custeado por empregadores em razão das demissões em massa causadas pela pandemia do novo coronavírus, de acordo com um estudo da Kaiser Family Foundation divulgado nesta quarta-feira (13).

Porém, nem todas essas pessoas ficaram sem cobertura médica. Cerca de 12,7 milhões deles seriam elegíveis para o Medicaid — programa de saúde social dos EUA para pessoas de baixa renda — e outros 8,4 milhões poderiam se beneficiar de subsídios do Affordable Care Act – também chamado de Obamacare, uma lei que controla o preço e expande os planos para uma maior parcela da população.

Mas isso ainda faria cerca de 5,7 milhões de pessoas serem obrigadas a arcar com o custo total de seus tratamentos médicos, o que pode ser inviável para alguém que acabou de ficar desempregado.

Esse grupo também teria a opção de continuar com o seguro de saúde antes pago pelo empregador, mas isso significa um custo anual, em média, de US$ 7.188 (R$ 42,1 mil) para uma única pessoa e US$ 20.576 (R$ 120,5 mil) para uma família de quatro pessoas.

Assista e leia também:
Panorama: coronavírus atinge em cheio a economia dos EUA
Por que os EUA têm tantos casos de COVID-19?

Ao contrário dos planos de saúde brasileiros que cobrem tantos procedimentos de medicina preventiva quanto de medicina curativa, os seguros de saúde nos EUA são voltados apenas para o lado curativo, destinado a tratar doenças ou sintomas para evitar o agravamento e complicações.

O estudo é o mais recente de uma série de projeções sobre como a forte crise econômica afetou as pessoas que perderam o emprego durante a pandemia de Covid-19. Antes da crise, os seguros saúde pagos por empregadores cobriam aproximadamente 153 milhões de trabalhadores e seus dependentes nos EUA.

Mais de 33 milhões de pessoas — ou 1 em cada 5 americanos — entraram com pedidos auxílio-desemprego nas últimas sete semanas. Em abril, um número recorde de 20,5 milhões de vagas de empregos foram fechadas, elevando a taxa de desemprego no país para 14,7%.