Moscou nega subnotificação e expõe procedimento para contar mortes por Covid-19

Capital da Rússia não contabilizou cerca de 60% das mortes suspeitas de ligação com o novo coronavírus

Mary Ilyushina e Nathan Hodge, da CNN
15 de maio de 2020 às 04:36 | Atualizado 15 de maio de 2020 às 04:46
Departamento de Saúde de Moscou diz que dados sobre coronavírus são transparentes
Foto: AFP/Getty Images

O departamento de saúde de Moscou, capital da Rússia, reagiu às notícias de que estava subnotificando as mortes por Covid-19, dizendo que seus dados estavam "absolutamente abertos". O órgão explicou sua contagem: apenas são registradas nos boletins as mortes que, após autópsia, tiveram confirmação de que ocorreram em decorrência de complicações por coronavírus.

De todas as mortes suspeitas da capital russa em abril, cerca de 60% foram descartadas após exames post mortem.

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As autoridades de saúde da cidade argumentam que uma autópsia obrigatória é realizada em todos os pacientes com suspeita de coronavírus para estabelecer o diagnóstico e a causa da morte, "em contraste com a prática na maioria dos outros países":

Em um comunicado divulgado na quarta-feira, o departamento de saúde de Moscou disse que as autoridades realizaram autópsias em 100% das suspeitas de vítimas de coronavírus e confirmaram que 639 pessoas morreram diretamente de complicações pela doença em abril.

"Em outros casos, é impossível colocar a Covid-19 como a causa da morte", disse o departamento de saúde em comunicado nesta quarta-feira, reconhecendo o aumento das taxas de mortalidade em abril.

"Em mais de 60% dos casos [suspeitos], as mortes foram causadas por causas alternativas, como insuficiência cardíaca, doenças malignas em estágio quatro, leucemia, além de outras doenças mortais incuráveis", afirmou.

"Os diagnósticos post mortem e as causas de morte registrados em Moscou são, portanto, extremamente precisos, e os dados de mortalidade são completamente abertos. É impossível nomear a causa da morte como Covid-19 em outros casos ".

A CNN e outras agências de notícias informaram nesta semana que Moscou viu um aumento na mortalidade em abril, segundo dados do registro civil. A cidade registrou 11.846 atestados de óbito naquele mês, o que é cerca de 20% maior em comparação com a média de dez anos com 9.866 óbitos.

As estatísticas na capital russa geram desconfianças em especialistas, à medida que observadores apontam o número geral comparativamente baixo de mortes na Rússia - um total que atualmente é de 2.305, segundo a Universidade Johns Hopkins -, mesmo quando o país ocupa o segundo lugar no mundo no ranking mundial. número de casos confirmados.

A Rússia tem o segundo maior número de casos atrás dos Estados Unidos e Moscou é a cidade mais atingida do país. Segundo as estatísticas oficiais, a capital viu um total de 1.290 mortes em um total oficial de mais de 130.000 casos registrados até quinta-feira, embora o prefeito Sergey Sobyanin tenha dito que o número total de pessoas infectadas é provavelmente maior, com base em estudos de rastreamento.

A declaração das autoridades de saúde de Moscou argumentou que, mesmo que todos os números de mortalidade de abril em Moscou fossem ajustados para atribuir mais casos ao coronavírus, a taxa geral de mortalidade por infecções por Covid-19 seria muito menor do que as taxas oficiais de mortalidade em Nova York e Londres.