Pence diz que suspensão de voos do Brasil para os Estados Unidos está na mesa

Embaixador do Brasil em Washington, Nestor Forster, disse que até o momento não há novas decisões sobre o cancelamento de voos do Brasil para os Estados Unidos

Núria Saldanha, da CNN, em Washington
20 de maio de 2020 às 16:36 | Atualizado 20 de maio de 2020 às 16:48
O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence
Foto: Twitter/ Reprodução


O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, disse na quarta-feira (20) que os Estados Unidos podem restringir voos do Brasil e de outros países da América do Sul. Em viagem à Flórida, o americano disse que o governo observa o avanço no número de casos confirmados de Covid-19 no Brasil para tomar a decisão.

"Estamos assistindo com muito cuidado o que está acontecendo na América do Sul, incluindo o Brasil. Nos últimos dias, vimos um aumento significativo nos casos”, disse Pence. "E o presidente [Trump] deixou claro que estamos considerando restrições adicionais de viagem, não apenas do Brasil, mas também de outros países."

Nesta quarta-feira (20), o embaixador do Brasil em Washington, Nestor Forster, disse que até o momento não há novas decisões sobre o cancelamento de voos do Brasil para os Estados Unidos, nem de imposição de restrições de conexões aéreas entre os dois países.

"Brasil e Estados Unidos seguem cooperando amplamente na resposta à pandemia", disse em nota. Segundo Forster, "as autoridades americanas avaliam de forma permanente e rotineira a situação dos voos que chegam ao país, assim como o Brasil tem feito".

A declaração veio depois que o presidente Donald Trump ameaçou suspender voos do Brasil, à medida que o país registra o terceiro maior número de casos da Covid-19 no mundo. Trump alegou que está considerando a medida para proteger a população americana.

"Não quero que as pessoas venham aqui e infectem o nosso povo. Também não quero pessoas doentes lá. Estamos ajudando o Brasil com ventiladores. O Brasil está com alguns problemas, sem dúvida ", disse o líder americano.

Sobre respiradores, o embaixador informou que, na última ligação entre os presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump, os dois líderes se comprometeram a colaborar tanto na área científica como sobre aquisição de materiais. 

"Cada país, como é natural, dará prioridade à sua própria população, mas os Estados Unidos asseguraram ao Brasil uma isenção da Lei de Produção de Defesa. Essa isenção garante ao Brasil a possibilidade de aquisição de respiradores artificiais, até um certo limite, caso o Ministério da Saúde tenha interesse em adquirir equipamentos fabricados nos Estados Unidos", informou Forster.