Itamaraty apura denúncia contra cônsul no México por negligência em repatriações

Wanja Campos da Nóbrega é investigada por omissão durante crise do novo coronavírus

André Spigariol Da CNN, em Brasília
26 de maio de 2020 às 17:08
Brasileiros embarcam no aeroporto da Cidade do Panamá em voo fretado pelo Itamaraty
Foto: Divulgacao/ Itamaraty

O Ministério das Relações Exteriores apura, por meio de sua corregedoria, acusações de negligência da Cônsul-Geral do Brasil no México, Wanja Campos da Nóbrega, durante a gestão das operações de repatriação de brasileiros retidos no país por conta da pandemia do novo coronavírus. Na semana passada, servidores do consulado enviaram uma carta para as principais autoridades do Itamaraty em Brasília. 

A CNN apurou que, nos bastidores, a embaixadora foi criticada por sua omissão desde o início da crise do novo coronavírus, que inaugurou a maior operação de repatriações da história do Itamaraty. A situação levou a embaixada do Brasil na Cidade do México a interferir nos trabalhos, apesar de as repatriações serem uma atribuição do consulado. Em um dos episódios, a embaixada enviou um funcionário para gerir o retorno de brasileiros que estavam retidos em Cancún.

O ápice das insatisfações de diplomatas na capital mexicana, que motivou a denúncia à corregedoria, foi um episódio em que um funcionário do consulado foi destratado pela cônsul-geral. O caso está em análise pela Corregedoria, chefiada pelo embaixador Wladimir Valler Filho, repartição encarregada pela apuração de desvios de conduta cometidos por diplomatas e, eventualmente aplicar punições. As sanções podem ir de advertências e suspensões até a demissão, dependendo da gravidade das infrações cometidas. 

O embaixador Luís Fernando Abbott Galvão, atual chefe do departamento de Nações Unidas, é cotado para assumir o consulado mexicano. No entanto, de acordo com uma fonte ouvida pela CNN, a troca de comando da repartição não tem a ver com as denúncias e já vinha sendo estudada anteriormente, em movimentação normal de diplomatas. 

O consulado foi procurado por e-mail para comentar as acusações contra a cônsul-geral, mas não respondeu até a publicação desta reportagem. Procurado, o Itamaraty disse que “tem ciência da situação e está tomando as providências cabíveis, nos termos da Lei 8.112, mantido, inicialmente, o sigilo determinado por lei”, referindo-se à lei federal que estabelece as normas aplicáveis a servidores públicos.

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Repatriações

Na sexta-feira passada (22) deputados federais do PSOL solicitaram ao Itamaraty que providenciasse um voo de repatriação para brasileiros retidos no México. De acordo com o gabinete da deputada Sâmia Bomfim (SP), cerca de 160 cidadãos aguardam uma oportunidade de voltar para casa. 

Em nota, o consulado-geral do Brasil na Cidade do México informou que uma agência de viagem mexicana está oferecendo um voo fretado com previsão de decolagem no dia 6 de junho. A repartição orientou os brasileiros que desejem voltar para casa a procurarem a empresa diretamente para adquirir suas passagens. Os voos comerciais entre Brasil e México estão suspensos por causa da pandemia. A CNN procurou o Itamaraty para obter números atualizados sobre o panorama das repatriações em todo o mundo, mas não obteve resposta.