Hong Kong não é mais autônoma em relação à China, diz Pompeo

Conclusão do secretário de Estado dos EUA pode afetar a relação comercial entre os países

da CNN
27 de maio de 2020 às 21:17
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo
Foto: Kevin Lamarque/Reuters (6.mai.2020)

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, disse nesta quarta-feira (27) que Hong Kong deixou de ser autônoma em relação à China — uma decisão que pode resultar na perda de condições especiais de comércio entre os EUA e Hong Kong e ameaçar a posição do território como polo financeiro.

"Nenhuma pessoa razoável pode garantir hoje que Hong Kong mantém um grau de autonomia em relação à China, dado os fatos", disse Pompeo ao Congresso. "Os Estados Unidos já esperaram que uma Hong Kong livre e próspera serviria como modelo para a China autoritária, mas agora é claro que a China está moldando Hong Kong como a si".

Na última semana, a China apresentou uma nova lei de segurança nacional para o território, que criminalizaria atos de secessão, subversão e sedição — de se separar, de minar o poder do governo central e de conspirar contra as autoridades, respectivamente. Caso seja aprovada, o governo de Pequim poderia montar instituições responsáveis pela fiscalização dessa legislação no território. Pompeo declarou nesta quarta-feira que essa é uma decisão "desastrosa".

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O presidente Donald Trump e o Congresso estadunidense decidirão quais são as medidas derivadas dessa conclusão, que vem em um momento de tensão elevada com o governo chinês, com quem troca farpas sobre a responsabilidade da pandemia do novo coronavírus.

De acordo com o secretário assistente do Departamento de Estado para o Leste da Ásia, David Stilwell, Trump não descarta sanções econômicas e mudanças para concessão de vistos.

Caso os EUA encerrem a relação comercial com Hong Kong, que perdura há décadas, haveria alto custo para os negócios americanos, um abalo na já fragilizada economia global e danos maiores para Hong Kong do que para a China, dizem especialistas.

"É má notícia para Hong Kong como centro comercial. O dinheiro vai aonde é seguro", disse Bill Reinsch, presidente acadêmico de negócios internacionais na CSIS (Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais) à CNN Internacional. "Também será um sinal para que os bancos sejam muito, muito cautelosos com Hong Kong".

Stephen Orlins, presidente do Comitê Nacional de Relações EUA-China disse que finalizar as condições especiais do território seria "catastrófico".

"Se encerrarmos as condições separadas de Hong Kong, prejudicamos mais a população de Hong Kong do que a da China. Vai devastá-la. Seria atirar contra pessoas que se quer proteger", disse.