CNN Mundo: os reflexos da decisão dos EUA de barrar passageiros vindos do Brasil

Lourival Sant’Anna conversa com o CEO da Oakberry, Georgios Frangulis; a CEO da Amcham Brasil, Deborah Vieitas; e o pesquisador Paulo Sotero, do Wilson Center

Da CNN, em São Paulo
28 de maio de 2020 às 21:11
 

O CNN Mundo desta semana analisa os reflexos políticos e econômicos da decisão do governo americano de impedir a chegada ao país de passageiros vindos do Brasil. A medida foi determinada pela Casa Branca e passou a valer a partir da última terça-feira (26). Os Estados Unidos alegam que esta é uma ação preventiva para evitar o aumento do contágio do novo coronavírus em seu território, uma vez que o Brasil é o segundo país mais atingido pela doença no mundo. 

Segundo o Itamaraty, "a decisão do governo dos EUA baseou-se em critérios técnicos, que levam em conta uma combinação de fatores tais como os casos totais, tendências de crescimento, volume de viagens, entre outros. A restrição americana tem o mesmo propósito de medida análoga já adotada pelo Brasil em relação a cidadãos de todas as origens, inclusive norte-americanos, e de medidas semelhantes tomadas por ampla gama de países."

Para discutir o tema, o analista da CNN Lourival Sant’Anna entrevista o CEO da rede Oakberry, Georgios Frangulis; a CEO da Amcham Brasil, Deborah Vieitas; e o jornalista e pesquisador do Wilson Center em Washington, Paulo Sotero. Confira alguns destaques deste debate:

Georgios Frangulis, CEO da rede Oakberry

"O processo de expansão está travado, negócios estavam em fase de implantação ou em fase adiantada de negociação. O faturamento global da marca caiu em média 86% entre março e maio. Só teremos certeza do tamanho do buraco quando a curva parar de subir, quando conseguirmos nos estabilizar de certa forma. Só a partir de setembro, outubro para conseguirmos efetivar o planejamento que traçamos em março."

Deborah Vieitas, CEO da Amcham Brasil

"Quando olhamos o aspecto do comércio exterior, os voos de carga estão permitidos, então a expectativa é que o comércio continue fluindo. Os efeitos da pandemia estão fazendo países reverem a cadeia de valores no mundo. Isso pode estreitar a nossa relação com os EUA." 

Paulo Sotero, jornalista e pesquisador do Wilson Center, em Washington

"No que se refere a Trump e Bolsonaro, a imagem é extremamente negativa e eu acredito que não vá melhorar. O sofrimento dos americanos e o dos brasileiros, que deve aumentar, desperta um sentimento de solidariedade. Tanto Trump, quanto Bolsonaro são incapazes de demonstrar empatia. O que atrapalha são as declarações e ações. Vejo com espanto a situação que o Brasil está, mas o sentimento na sociedade americana mostra sinais de solidariedade com o povo brasileiro."

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