Terceiro dia de protestos contra morte de George Floyd tem saques e incêndios


Da CNN
29 de maio de 2020 às 01:44 | Atualizado 29 de maio de 2020 às 11:36

Cenas caóticas foram vistas na manhã desta sexta-feira (29) na cidade de Minneapolis, no estado norte-americano de Minnesota, após a chegada da polícia e o confronto com os manifestantes. Eles protestam contra a morte de George Floyd, homem negro que foi sufocado e morto por um policial branco durante abordagem. Os agentes usaram gás de pimenta e cassetetes para dispersar a multidão, que lançava pedras contra os policiais. Um jornalista da CNN chegou a ser detido durante a cobertura dos protestos.

Na quinta (28), o governador de Minnesota, Tim Walz, pediu o reforço da Guarda Nacional para ajudar os policiais a conter os atos, que chegam ao terceiro dia. Os manifestantes lotaram as ruas de Minneapolis gritando "Não consigo respirar" e exigindo a prisão dos agentes envolvidos na morte de Floyd. "Há uma causa provável agora" para fazer essas prisões, disse o ativista de direitos civis Al Sharpton, enquanto se dirigia à multidão. "Não estamos pedindo um favor. Estamos pedindo o que é certo."

Durante as manifestações, mais de 170 comércios foram danificados ou saqueados e ao menos cinco edifícios foram incendiados, segundo a polícia local. Policiais e bombeiros foram encaminhados a esses locais. Na noite dessa quinta, os manifestantes também atearam fogo a uma delegacia.

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A Guarda Nacional de Minnesota disse que ativou mais de 500 soldados na região de St. Paul, Minneapolis e proximidades, onde eles se encontram em frente a bancos, lojas e farmácias.

Os protestos se espalharam por várias regiões do país: Phoenix, no Arizona; em Denver, no estado do Colorado; em Louisville, no Kentucky; em Memphis, Tennessee; em Columbus, no estado de Ohio; e na cidade de Nova York. Alguns atos foram marcados por episódios de violência.

Em Kentucky, por exemplo, houve relatos de tiros durante um dos protestos. Em Nova York, a polícia prendeu 72 manifestantes.

Trump critica prefeito

O presidente dos EUA, Donald Trump, comentou as manifestações no Twitter e disse que "quando os saques começam, os tiros começam". O tuíte foi sinalizado pela rede social por violar as regras da plataforma e "glorificar a violência".

Trump também criticou a postura do prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, destacando sua "total falta de liderança" e o chamando de "muito fraco". Pouco depois, durante uma entrevista coletiva, Frey respondeu aos comentários.

"Fraqueza é se recusar a assumir responsabilidade por suas próprias ações. Fraqueza é apontar o dedo para outra pessoa durante um período de crise", disse o prefeito. "Donald Trump não sabe nada sobre a força de Minneapolis. Somos muito fortes. É uma época difícil? Sim. Mas pode apostar que vamos passar por isso."

Frey também condenou a violência vista durante os protestos e disse que ela é "inaceitável". "Nossa comunidade não pode e não irá tolerar isso."

Em entrevista à emissora CBS na quinta-feira, Frey ressaltou que são fortes os sinais de abuso policial ligado a questões raciais na morte de Floyd. "George Floyd estaria vivo hoje, se fosse branco", disse o prefeito. "Não não sou promotor aqui, mas quero deixar bem claro que o agente matou alguém", declarou ele, ao defender o julgamento por assassinato do policial envolvido no caso. 

A primeira-dama dos EUA, Melania Trump, disse no Twitter que não há necessidade de violência nos protestos e enviou condolências à família de George Floyd.

Investigações em andamento

No momento da abordagem, havia quatro policiais presentes. Um deles, Derek Chauvin, aparece no vídeo - gravado por uma testemunha e compartilhado nas redes sociais - pressionando o joelho contra o pescoço de Floyd, enquanto este implora pela própria vida alertando que não consegue respirar. Os quatro agentes foram demitidos da corporação e o caso está sendo investigado.

Chauvin tem 18 queixas contra ele registradas no Departamento de Polícia de Minneapolis, mas ainda não se sabe o motivo de cada uma delas.

O procurador-geral de Minnesota, Keith Ellison, disse à CNN que "haverá acusações" contra os quatro agentes e elas serão anunciadas "em breve".

O caso de Floyd lembra o assassinato de Eric Garner, homem negro desarmado que morreu em 2014 durante uma abordagem policial na cidade de Nova York, também após dizer que não "conseguia respirar". Estas palavras se tornaram lema do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), formado em meio a uma onda de assassinatos de afro-americanos pela polícia dos EUA.

A mãe de Garner, Gwen Carr, disse que a morte de Floyd renovou o trauma que ela sofreu há seis anos. "Isso está apenas abrindo uma ferida antiga e derramando sal nela", afirmou.

(Com Reuters)