Após meses no mar, último navio de cruzeiro leva todos os passageiros para casa

O navio partiu em um cruzeiro mundial de 140 dias saindo de Hamburgo, Alemanha, em 21 de dezembro de 2019 e estava navegando até então

Francesca Street, da CNN
08 de junho de 2020 às 16:10 | Atualizado 04 de julho de 2020 às 03:45
Artania
Foto: Reprodução/Pixabay
 

Após uma odisseia de seis meses ao redor do mundo, o último navio de cruzeiro que ainda transportava passageiros fez a sua escala final, levando seus oito passageiros a um mundo que mudou intensamente devido à pandemia do novo coronavírus. 

O navio de cruzeiro MV Artania atracou no porto de Bremerhaven, na Alemanha, nesta segunda-feira (8), como confirmou a agência de viagens Phoenix Reisen à CNN, encerrando uma viagem épica de retorno para a Austrália, que precisou realizar inúmeros desvios no caminho para deixar os tripulantes em suas casas.

Todos os oito passageiros que ainda estavam a bordo deveriam desembarcar antes das 12h, no horário local. A chegada do navio Artania ocorre mais de dois meses depois que os últimos grandes navios de lazer terem sido retirados de operação, enquanto a indústria de cruzeiros pisava no freio ao velejar em meio à pandemia global.

Enquanto a Costa Deliziosa, o MSC Magnifica e a Pacific Princess – os últimos navios importantes supervisionados pela associação internacional Cruise Lines International do grupo industrial – atracaram em abril, Artania continuou navegando.

O navio, que pode transportar até 1.200 passageiros, partiu em um cruzeiro mundial de 140 dias saindo de Hamburgo, Alemanha, em 21 de dezembro de 2019.

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Em março, a Covid-19 passou a acompanhar o cruzeiro, quando 36 passageiros testaram positivo para o vírus, após uma verificação das autoridades de saúde australianas quando o navio chegou em Fremantle.

Os afetados foram colocados em quarentena nos hospitais locais, de acordo com Phoenix Reisen. Três pessoas que estavam no navio morreram – dois passageiros do sexo masculino, um com 69 anos e um com 71 anos, além de uma tripulante de 42 anos.

Os saudáveis hóspedes do Artania permaneceram em quarentena no navio até seus voos de repatriamento no final de março. Centenas de passageiros do cruzeiro, a maioria deles alemães, voaram de Perth para Frankfurt. Uma parte deles, no entanto, permaneceu em um hospital da Austrália para se recuperar.

Os últimos oito passageiros, por fim, decidiram voltar para casa via oceano, em vez de avião. Esses viajantes receberam, posteriormente, o status de se tornarem os últimos passageiros de um cruzeiro no mar. Eles assistiram, enquanto permaneceram no navio, o mundo se transformar e os países fecharem e reabrirem suas fronteiras.

A jornada de volta à Europa, depois do navio deixar a Austrália em 18 de abril, levou algumas semanas. A viagem foi prolongada devido às paradas realizadas no sudeste da Ásia, com o objetivo de repatriar muitos dos membros restantes da tripulação.

Alguns tripulantes europeus puderam voar para casa, da Austrália para a Alemanha, ao lado de passageiros. O restante da tripulação permaneceu no navio, com o Artania fazendo ligações em Bali e Manila para permitir que os trabalhadores voltassem para casa.

Cerca de 75 tripulantes permaneceram a bordo até Bremerhaven para ajudar a garantir o bom funcionamento do navio.

Um casamento, cartões postais e mensagens em casa

 

Ao longo do caminho, o capitão Morten Hansen manteve passageiros, colegas de trabalho, fãs de cruzeiros e entes queridos atualizados através de sua página no Facebook.

O norueguês Hansen comanda navios de cruzeiro desde 2001 e será reconhecido por alguns como a estrela da série de TV "Crazy for the Sea", um reality show alemão que documenta a vida dos navios de cruzeiro.

Durante a longa jornada do Artania, Hansen postou vídeos nos quais ele falou abertamente sobre a cabine. O capitão também publicou fotografias dos pontos turísticos vistos no navio.

Quando o navio foi colocado em quarentena em Perth, os membros da tripulação receberam cartões postais de crianças em idade escolar na cidade. A ideia era estabelecer uma conexão entre a tripulação em quarentena – envolvida na pandemia e prejudicada pela má reputação da indústria de cruzeiros – e uma cidade em pânico, que estava se sentindo cada vez mais ameaçada pelos navios de cruzeiro e pela doença. 

"Os cartões são escritos de maneira amorosa, sensível e individual para todos. Foi e emocionante e reconfortante", escreveu Hansen no Facebook, segurando seu cartão.

Houve outros momentos especiais. No Dia das Mães, Hansen desviou um pouco da rota planejada para mapear a forma de um coração.

Logo antes de o navio deixar Perth, dois tripulantes, reunidos por essas circunstâncias extraordinárias, decidiram se casar em uma cerimônia oficializada pela cônsul honorária da Alemanha na Austrália, Gabriele Maluga.

Futuro dos cruzeiros

Phoenix Reisen disse que os passageiros devem terminar de desembarcar do Artania às 12h, no horário local. 

Porém, enquanto a maioria dos viajantes de navios está de volta em casa, muitas equipes de permanecem presas em cruzeiros de todo o mundo, aguardando o retorno em meio a relatos de problemas de saúde mental e condições difíceis.

Nesta segunda-feira (8), em reconhecimento ao Dia Mundial do Oceano, ativistas de todo o mundo estão participando de um evento virtual denominado "Rally to Clean Up Cruising" (Reunião para Limpar o Cruzeiro, em português), que aborda como a indústria pode mudar seu impacto ambiental ao retomar os atividades com os cruzeiros.

(Texto traduzido, clique aqui e leia o original em inglês)