Governo interino da Bolívia promulgará lei que define eleições para setembro

"Não queremos deixar a menor dúvida sobre a ideia de que alguém do governo esteja tentando prolongar desnecessariamente a atual gestão", afirmou ministro

Leonardo Lopes, da CNN
11 de junho de 2020 às 14:00
O projeto "Lei de Postergação das Eleições Gerais" possibilitará a realização do pleito no dia 6 de setembro deste ano.
Foto: Kandl/Shutterstock

O ministro da presidência da Bolívia, Yerko Núñez, informou nesta quarta-feira (10), que o Poder Executivo promulgará um projeto de lei aprovado pelo Parlamento que define a data 6 de setembro para as eleições gerais do país.

"A presidenta [a interina, Jeanine Áñez] e o governo, deixam claro que não criarão obstáculos para a data das eleições. Não queremos deixar a menor dúvida sobre a ideia de que alguém do governo esteja tentando prolongar desnecessariamente a atual gestão", afirmou Núñez, em um comunicado oficial.

Entretanto, ele considerou que possíveis riscos à saúde devem ser levados em conta. O ministro argumentou que autoridades de saúde preveem o pico da pandemia da Covid-19 na Bolívia para o fim de agosto – próximo à data programada para as eleições.

Na terça-feira (09), foi aprovada, tanto pelos deputados, quanto pelo senadores da Assembleia Legislativa boliviana uma "Lei de Postergação das Eleições Gerais". Este é o projeto que possibilitará a realização do pleito no dia 6 de setembro deste ano.

A medida foi apresentada aos legisladores pelo Supremo Tribunal Eleitoral após um acordo entre os partidos e coalizões que participarão das eleições presidenciais, que concordaram com a data.

A proposta do tribunal impõe um prazo de 127 dias para a realização das eleições, contados a partir de 3 de maio. O prazo é mais flexível do que a lei atual promulgada pela presidente do Senado, Eva Copa, que estipulava um período de apenas 90 dias a partir da mesma data.

O órgão eleitoral ainda afirmou que poderão se registrar para votação os jovens que completarão 18 anos até 6 de setembro.

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Candidato de Morales na liderança

A última pesquisa de intenções de voto foi feita no dia 15 de março feita pela empresa Ciesmori para o grupo de comunicação boliviano Unitel.

De acordo com a pesquisa, o candidato Luis Arce do partido de Evo Morales, Movimento para o Socialismo (MAS), ocupou o primeiro lugar com 33,3% das intenções de voto.

O ex-presidente boliviano centrista, Carlos Mesa, do partido Comunidade Cidadã (CC), ficou em segundo lugar com 18,3%. A atual presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, da coalizão "Juntos", ficou em terceiro lugar, com 16,9% das intenções de voto.

De acordo com a empresa Ciesmori, a pesquisa consultou 2.243 bolivianos de 100 cidades e localidades do país, tanto urbanas quanto rurais. A margem de erro é de 2,06%.

(Com informações da CNN en Español e Pesquisa Ciesmori).