Mesmo com reformas na saúde, China não evitará o próximo vírus

Estudo afirma que governo chinês poderia ter reduzido as infecções de Covid-19 em até 95% se tivesse interditado Wuhan duas semanas antes

David Stanway e Roxanne Liu, da Reuters
19 de junho de 2020 às 17:45 | Atualizado 19 de junho de 2020 às 17:46
Passageiros em ônibus em Xangai
Foto: Aly Song/Reuters

Os planos mais recentes da China para reformar seu sistema de controle de doenças podem não aumentar sua capacidade de lidar com futuros surtos de vírus, de acordo com alguns especialistas de dentro e de fora do país.

As reformas, anunciadas no final de maio, não consertam todos os problemas expostos pelo novo coronavírus e não tratam das questões de sigilo e censura que muitos especialistas acreditam terem transformado um surto isolado na cidade chinesa central de Wuhan em uma pandemia.

"O maior problema da China é (os governos locais) ter medo de que a epidemia impacte a estabilidade social", disse Yang Gonghuan, ex-vice-chefe do Centro para Controle e Prevenção de Doenças da China (CDC) em Pequim. "Por isso eles não querem que repórteres falem e não querem que pessoas como Li Wenliang falem."

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Li, um médico de Wuhan, foi repreendido pela polícia por "disseminar rumores" quando tentou dar o alarme sobre a doença, da qual mais tarde morreu.

As autoridades chinesas esperaram 16 dias para isolar Wuhan depois que o novo coronavírus foi identificado na localidade no início de janeiro. Neste mês, o ministro da Saúde, Ma Xiaowei, admitiu que a luta para conter o vírus "expôs alguns problemas e limitações", sem entrar em detalhes.

Em reação aos problemas, Pequim disse que dará às suas centenas de CDCs mais poder para detectar e reagir rapidamente a novos surtos, além de mais acesso a hospitais e clínicas.

Um estudo da britânica Universidade de Southampton indicou que a China poderia ter reduzido as infecções em até 95% se tivesse interditado Wuhan duas semanas mais cedo.