Google remove anúncios de pesquisas sobre eleição nos EUA por 'distorção'

Projeto de transparência encontrou mais de 600 propagandas que violavam termos da gigante de busca

Reuters
30 de junho de 2020 às 12:06
Porta-voz do Google afirmou que anúncios foram removidos por desrespeitar política de distorção da empresa
Foto: Arnd Wiegmann -19.jul.2018/ Reuters

O Google anunciou que removeu anúncios de empresas que cobram taxas elevadas de pessoas para se registrar para votar ou que coletam seus dados, quando os usuários procuraram informações sobre as eleições de 2020 nos Estados Unidos.

A gigante de buscas anunciou na segunda-feira (30) que a política de distorção da empresa proibia esses anúncios, que foram encontrados pelo projeto de transparência sem fins lucrativos Tech Transparency Project, ao pesquisar termos relacionado às eleições dos Estados Unidos.

Como em todas as principais democracias, os eleitores dos EUA não precisam pagar para se registrar para votar.

O Tech Transparency Project disse em um relatório na segunda que quase um terço dos mais de 600 anúncios gerados por suas pesquisas no Google levou os usuários a sites que tentam cobrar grandes taxas pelos serviços de registro de eleitores, extraem seus dados pessoais para fins de marketing, instalam extensões fraudulentas em seu navegador, ou veiculam outros anúncios enganosos.

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O relatório dizia que o primeiro anúncio que aparecia quando alguém pesquisava "registro para votar" no Google, direcionava os usuários para um site do PrivacyWall.org, que cobrava US$ 129 (equivalente a R$ 697) para processar o registro de eleitores no mesmo dia.

Jonathan Wu, presidente-executivo da PrivacyWall, disse em um e-mail à agência Reuters que seu serviço facilita o registro online dos eleitores sem fornecer mais dados do que o necessário e que não compartilha dados para nenhum outro propósito que não seja o registro de eleitores.

"Nosso objetivo é criar uma escolha onde não existia. Para tornar isso possível, cobramos dos consumidores uma taxa que é claramente divulgada", disse Wu, acrescentando que a taxa cobria frete, equipe e outros custos. "Não permitiremos que o Google frustre arbitrariamente nossos esforços para proteger a privacidade do consumidor e aumentar a participação dos eleitores."

Uma porta-voz do Google disse que a empresa ainda não sabia como os anúncios passaram pelo processo de aprovação, que usa uma combinação de revisão automática e manual.

"Temos políticas rígidas para proteger os usuários contra informações falsas sobre procedimentos de votação e, quando encontramos anúncios que violam nossas políticas e causam danos aos usuários, os removemos e impedimos que os anunciantes exibam anúncios semelhantes no futuro", disse uma porta-voz da empresa.