Igreja evangélica brasileira em Angola é alvo de ataques

Líder da Igreja Universal no país africano conta que imóveis têm sido invadidos e pastores expulsos das casas em que moram

Da CNN, em São Paulo
11 de julho de 2020 às 16:33

Mais de 30 imóveis da Igreja Universal do Reino de Deus têm sido alvo de invasões em Angola, nas últimas semanas, por um grupo que seria formado por dissidentes.

O líder da igreja no país africano, Honorilton Gonçalves, disse à CNN neste sábado (11) que, em novembro de 2019, alguns ex-pastores apresentaram um suposto manifesto com algumas reclamações e insatisfações.

"Quando nós chegamos aqui, transferimos um bispo para Portugal. E quando essa transferência aconteceu, começou esse problema, descobrimos que já era um plano, já havia um projeto antigo de tomarem a igreja. Fomos todos para a Justiça e estamos esperando pacientemente. Só que eles não esperaram uma decisão judicial."

"Eles se referem nesse manifesto que nós vendemos imóveis dos angolanos para pegar os recursos e enviar a outros países. Nesse um ano que estamos aqui, nenhum imóvel da igreja foi vendido. Não há nenhuma ilegalidade na igreja, até porque as contas sofrem auditorias externas e fiscalização constante do governo. Tudo foi levado para os tribunais, estamos atendendo 100% das solicitações da Justiça, e em todas as situações respondemos a absolutamente tudo. A igreja está 100% legal em Angola", explicou Gonçalves.

Pastores agredidos

"Tivemos pastores violentamente agredidos, expulsos das suas residências, ameaçados. Tivemos casos em que esses pastores tentaram voltar para suas residências e, em lugares onde a polícia dizia antes não ter efetivo para impedir a invasão, a ilegalidade, chegaram 40 policiais e os humilharam, levando em carro aberto para a esquadra, que é a delegacia de lá, como se fosse um desfile, todos os pastores e as esposas", contou Gonçalves.

O religioso relata ainda dificuldades em encontrarem uma solução. "O que a gente tem ouvido, tanto da procuradoria quanto do comando da polícia, é que é um problema interno da igreja que eles estão esperando que se resolva. Houve uma invasão, há um crime em curso, e nós estamos nos sentindo como se fossemos os criminosos, e os criminosos como se fossem vítimas. Nós não sabemos o que está acontecendo, mas providências legais já deveriam ter sido tomadas. Acionamos todas as instâncias legais possíveis de Angola e tivemos várias ameaças de invasão em nossa sede".  

Procurado pela CNN, o embaixador do Brasil em Angola, Paulino Franco de Carvalho Neto, repudiou os atos e informou que o governo brasileiro busca uma solução junto às autoridades angolanas. Ele afirmou também que o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, está em contato com o governo do país africano. A embaixada de Angola no Brasil não se manifestou.