Trump diz ter assinado decreto encerrando tratamento especial dado a Hong Kong

Segundo o presidente dos Estados Unidos, medida busca responsabilizar a China por nova lei de segurança nacional

Da CNN
14 de julho de 2020 às 21:17
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Foto: Jonathan Ernst/Reuters (14.jul.2020)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (14) ter assinado uma lei e um decreto para responsabilizar a China pela nova lei de segurança nacional imposta a Hong Kong.

Em entrevista coletiva, Trump disse estar encerrando o tratamento especial dado ao território como punição à China pelo que chamou de ações "opressivas" contra a população local.

"Sem privilégios especiais, sem tratamento especial econômico e sem exportação de tecnologias estratégicas", descreveu. 

Ele também sancionou uma lei aprovada pelo Congresso que penaliza bancos que fizerem negócios com autoridades chinesas que implementarem a nova lei de segurança. 

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No último mês, a China aprovou uma controversa nova lei, que pune o que chama de "atos de secessão, subversão e sedição" — de se separar, de minar o poder do governo central e de conspirar contra as autoridades, respectivamente— com penas que podem chegar à prisão perpétua.

Críticos da legislação temem que ela vá acabar com as liberdades prometidas ao território quando foi devolvido aos chineses em 1997. Apoiadores dizem que vai trazer estabilidade para a cidade após um ano de protestos contra o governo.

A ex-colônia britânica voltou para o controle chinês há 23 anos com uma lei que protege a liberdade de expressão, de reunião e da imprensa até 2047.

Após a nova lei passar, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, disse que Hong Kong não era mais autônoma em relação à China.

"Nenhuma pessoa razoável pode garantir hoje que Hong Kong mantém um grau de autonomia em relação à China, dado os fatos", disse Pompeo ao Congresso. "Os Estados Unidos já esperaram que uma Hong Kong livre e próspera serviria como modelo para a China autoritária, mas agora é claro que a China está moldando Hong Kong como a si", disse.

Encerrar o tratamento especial dado a Hong Kong pode ricochetear e afetar também a economia americana. 

Hong Kong foi a maior fonte de superávit comercial bilateral no ano passado, com cerca de US$ 26 bilhões em negócios, apontam dados do Gabinete do Censo. Também é um destino importante para empresas do ramo do direito e de contabilidade dos Estados Unidos — mais de 1.300 firmas americanas operam no território, incluindo quase todas as maiores financeiras.

De acordo com o Departamento de Estado, 85 mil cidadãos estadunidenses vivem em Hong Kong.

As relações dos Estados Unidos com a China já estavam estremecidas com a pandemia do novo coronavírus.

O gerenciamento da doença nos EUA colocou em dúvida a reeleição de Trump, conforme os casos continuam a subir no país. No evento desta terça, ele voltou a culpar os chineses pelo vírus.

"Não se enganem, nós responsabilizamos totalmente a China por esconder o vírus e soltá-lo no mundo. eles poderiam tê-lo parado, eles deveriam tê-lo parado, teria sido muito fácil fazer isso na origem", disse o presidente americano.

(Com informações da Reuters e da CNN Internacional)