Com desemprego recorde, Israel anuncia auxílio emergencial

Críticos do premiê enxergam pacote como uma tentativa de aumentar a popularidade do político veterano antes de uma série de lockdowns amplamente esperados

Jeffrey Heller, da Reuters
15 de julho de 2020 às 22:16 | Atualizado 16 de julho de 2020 às 07:20
Manifestantes protestam contra Netanyahu e seu governo do lado de fora de sua residência em Jerusalém
Foto: Ronen Zvulun - 14.jul.2020/Reuters

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou nesta quarta-feira um plano para conceder um auxílio para todos os israelenses em meio às crescentes indignações diante de sua condução da crise do coronavírus, que caminha em direção ao pior cenário.

Os críticos do premiê enxergam o pacote de 6 bilhões de shekels (US$ 1,75 bilhão) como uma tentativa de aumentar a popularidade do político veterano antes de uma série de lockdowns amplamente esperados. 

Os pagamentos irão variar entre 750 shekels (US$ 219) para indivíduos até 3.000 shekels (US$ 875) para famílias com três ou mais filhos, disse Netanyahu em um pronunciamento especial na televisão. 

Agora em seu quinto mandato, Netanyahu está lutando contra um aumento nas novas transmissões de coronavírus. Ele disse em seu pronunciamento televisionado que estava fazendo "seu melhor" para evitar um novo lockdown nacional e negou que os protestos de rua tenham levado ao novo pacote de auxílio.

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"Por que estamos oferecendo esse dinheiro? Precisamos manter a economia em movimento", disse Netanyahu, pedindo que seu governo de coalizão aprove os pagamentos. "Esse dinheiro irá impulsionar os gastos de consumidores e o emprego." 

O governo reabriu escolas e muitas empresas em maio, suspendendo as restrições que haviam achatado a curva de infecções. Com os novos casos de Covid-19 agora passando de mil por dia, alguns especialistas afirmam que a reabertura aconteceu rápido demais. 

Com o desemprego a 21%, um recorde, milhares de israelenses tem protestado contra Netanyahu.