Ex-guarda de campo de concentração nazista é condenado na Alemanha

Ele se desculpou pelo sofrimento causado às vítimas. “Gostaria de me desculpar com todas as pessoas que passaram por esse inferno de insanidade"

Da CNN
23 de julho de 2020 às 11:05 | Atualizado 23 de julho de 2020 às 15:34

Um ex-guarda de um campo de concentração nazista foi condenado por ajudar a matar 5.232 prisioneiros, a maioria judeus, durante a Segunda Guerra Mundial, e recebeu uma pena suspensa (não precisa ir à penitenciária) de dois anos de prisão nesta quinta-feira (23), anunciou um tribunal alemão. 

A decisão é de um dos últimos julgamengtos de crimes cometidos por nazistas, já que faz mais de 75 anos que a Segunda Guerra Mundial acabou na Europa.

Identificado apenas como Bruno D., que atuou como guarda da SS, a tropa de choque nazista, no campo de concentração Stutthof, perto de Gdansk (onde hoje é a Polônia), o ex-guarda foi considerado culpado de envolvimento nos assassinatos ocorridos entre agosto de 1944 e abril de 1945.

Assista e leia também:

Albert Einstein suspende médica Nise Yamaguchi após fala sobre holocausto

Embaixada de Israel pede que Holocausto não seja usado em disputa política

MJ defende no STF inquérito contra chargista que ligou Bolsonaro ao nazismo

Aos 93 anos, ele reconheceu sua presença no campo, mas alegou que não é culpado pelas mortes, pois não tinha escolha.

Cerca de 65 mil pessoas, incluindo muitos judeus, foram mortos durante o Holocausto em Stutthof, segundo o site do museu local. Promotores afirmaram que muitos deles foram baleados na parte de trás da cabeça ou morreram por inalar o letal gás Zyklon B.

Como Bruno tinha entre 17 e 18 anos de idade na época dos crimes, ele foi submetido às regras de sentenças previstas para jovens. Os promotores pediram três anos de prisão.

Em seu último depoimento no tribunal, Bruno D. se desculpou pelo sofrimento causado às vítimas. “Gostaria de me desculpar com todas as pessoas que passaram por esse inferno de insanidade e aos parentes e sobreviventes”, disse ele.

Mais de 40 pessoas da França, Israel, Polônia e Estados Unidos testemunharam contra o ex-guarda durante o julgamento, que começou em outubro. Em razão da saúde frágil do réu, as sessões do tribunal foram limitadas a duas ou três horas por dia.

Justiça às vítimas

Apesar de o número de suspeitos estar diminuindo conforme os anos passam, promotores ainda tentam levar justiça às vítimas. 

Uma determinação jurídica de 2011 abriu caminho para mais ações, já que trabalhar em um campo de concentração passou a ser o suficiente para declarar o indivíduo como culpado, sem prova de crime específico.

A Justiça alemã investiga outros 14 casos ligados aos campos de concentração de Buchenwald, Sachsenhausen, Mauthausen e Stutthof, segundo o Departamento Central de Investigação de Crimes Nazistas.

Cerca de 6 milhões de judeus morreram em campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. 

(Com Reuters)