Trump sugere adiar eleição presidencial nos EUA


Kevin Liptak e Betsy Klein, da CNN
30 de julho de 2020 às 10:44 | Atualizado 30 de julho de 2020 às 19:52

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu o adiamento da eleição presidencial de novembro, nesta quinta-feira (30), dando voz aos temores de que ele tentaria evitar a votação, já que aparece dois dígitos atrás de seu principal oponente em algumas pesquisas.

Trump não tem, no entanto, autoridade para adiar a data da votação. Pela Constituição dos EUA, o dia da eleição – em 2020, marcada para 3 de novembro – é definido pelo estatuto do Congresso, e a maioria dos especialistas concorda que não pode ser alterado pelo presidente sem a aprovação dos legisladores.

Mas em seu tuíte na manhã desta quinta-feira – publicado 96 dias antes da eleição e minutos depois de o governo federal relatar a pior contração econômica da história do país – Trump fez a sugestão alegando, sem provas, que a disputa será distorcida.

“Com a votação universal por correio (em vez da abstenção, o que é bom), 2020 será a eleição mais imprecisa e fraudulenta da história. Será um grande constrangimento para os EUA", escreveu o republicano na rede social. "[Devemos] adiar a eleição até que as pessoas possam votar de maneira adequada, segura e protegida???”.

Assista e leia também:

A 100 dias da eleição, Biden lidera em 3 estados-chave onde Trump venceu em 2016

As palavras que podem custar o segundo mandato de Trump

Não há evidências de que a votação por correio nos EUA seja fraudada. Anteriormente, Trump já havia alimentado o medo e lançado as bases para questionar os resultados das eleições de 2020, promovendo a ideia de que esse tipo de voto leva a desvios generalizados.

O tuíte foi publicado após uma série de pesquisas recentes em estados-chave – incluindo alguns em que ele venceu com folga em 2016 – o mostrarem atrás ou praticamente empatado com o democrata Joe Biden, seu adversário na disputa pela casa Branca.

As pesquisas indicam também uma desaprovação generalizada com a forma como Trump lidou com a pandemia do novo coronavírus.

Questionado sobre essa questão em uma audiência do Comitê Judiciário da Câmara na terça-feira, o secretário de Justiça William Barr disse que "não tinha motivos para pensar" que as próximas eleições serão fraudadas. 

Assista e leia também:

Exclusivo: Planalto traça estratégia para eventual vitória de Biden nos EUA

EUA registram recorde de candidatas negras nas eleições de 2020

Mas ele disse acreditar que "se houver uma votação por atacado via correio, isso aumenta substancialmente o risco de fraude".

Mas, historicamente, votar pelo correio não levou a fraudes maciças de eleitores. E especialistas não partidários em eleições dizem que a possibilidade de entidades estrangeiras imprimirem milhões de cédulas fraudulentas é altamente improvável.

Biden, adversário de Trump na disputa pela Casa Branca, já havia levantado a possibilidade de o republicano tentar adiar a eleição.

"Marque minhas palavras: acho que ele [Trump] tentará adiar a eleição de alguma forma, vai apresentar razões pelas quais não pode ser realizada", disse Biden em um evento virtual de arrecadação de fundos em abril.

(Texto traduzido, clique aqui e leia o original em inglês)