Manifestação sinaliza mudanças a caminho para governo libanês, diz especialista

Georges Alfred Karam, vice-presidente da Federação das Entidades Líbano-Brasileiras de São Paulo, explicou cenário político do país

Da CNN
08 de agosto de 2020 às 13:58

Milhares de pessoas se reuniram no centro de Beirute para uma manifestação neste sábado (8), dias após a grande explosão registrada em um porto da capital libanesa.

Para Georges Alfred Karam, vice-presidente da Federação das Entidades Líbano-Brasileiras de São Paulo, o protesto sinaliza a insatisfação do povo libanês com o governo e com as medidas adotadas após a tragédia, o que pode indicar que grandes mudanças estão a caminho para o cenário político do país.

"O povo já estava se organizando desde ontem pelas redes sociais e hoje as pessoas caminharam no centro de Beirute, próximo ao porto aonde aconteceu a explosão e à sede do Parlamento, para expressar a vontade de mudar esse governo que não teve responsabilidade nessa situação. Acho que a tendência é uma grande mudança que vai vir agora para o cenário e o governo libaneses", disse à CNN.

Segundo Karam, a explosão na capital evidenciou a grave crise econômica do país, além de um cenário político conturbado. "[O povo] já vinha demonstrando a insatisfação com os governantes e os políticos libaneses devido à corrupção e isso se destacou muito com a visita do presidente francês Emmanuel Macron. (...) Ali o povo expressou sua decepção com os governantes pedindo ajuda direto para ONGs."

Leia também:

Explosão em Beirute: o que se sabe até agora
Nitrato de amônio armazenado foi comprado para mineração, diz empresa
Explosão em Beirute termina de derrubar um Líbano já em crise, diz historiadora
Falta luz, água e emprego: Brasileira há 25 anos no Líbano descreve vida no país

Manifestação

Um outro protesto já havia sido feito perto da entrada do Parlamento libanês na noite dessa quinta-feira (6).

Um líder da oposição defendeu que todos os parlamentares renunciem para que a população possa decidir como e quem deve ajudar a conduzir o país em seu processo de recuperação. O presidente Michel Aoun é acusado de negliência por libaneses revoltados com as explosões.

Duas dezenas de pessoas ainda estão desaparecidas e mais de 250 mil ficaram desabrigadas, em um país que já sofria com a crise econômica e a pandemia do novo coronavírus.