Polícia de Key West, na Flórida, é processada por prisão de criança de 8 anos

Menino teria batido em uma professora; mãe alega que o filho tem necessidades especiais

Eric Levenson e Tina Burnside da CNN
13 de agosto de 2020 às 11:14
Criança de 8 anos é presa em escola na Flórida
Foto: Reprodução

Policiais de uma escola primária da Flórida prenderam um menino de 8 anos que teria batido em uma professora. Em seguida perceberam que os pulsos da criança eram pequenos demais para as algemas.

Parte das imagens da câmera corporal de um policial, gravadas durante a prisão, feita em dezembro de 2018, foram divulgadas na segunda-feira (10) pelo advogado de direitos civis Ben Crump, que está representando a mãe do menino.

Ela entrou com um processo na justiça federal, alegando que os policiais usaram força excessiva, que os funcionários da escola não intervieram e que a cidade e o distrito escolar violaram a Lei dos Norte-Americanos com Deficiências. O processo diz que o menino é uma criança com necessidades especiais.

A polícia de Key West se recusou a comentar o caso para a CNN, citando que esse é um processo em andamento.

No entanto, em uma declaração ao jornal Miami Herald na segunda-feira (10), o chefe da polícia de Key West, Sean T. Brandenburg, disse que seus policiais não fizeram nada de errado e que seguiram os procedimentos operacionais padrão.

A mãe, Bianca N. Digennaro, disse em uma entrevista coletiva pelo Zoom na terça-feira (11) que seu filho foi preso, levado para a cadeia, teve as impressões digitais e amostras de DNA coletadas e fotos tiradas naquele dia.

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O menino – que tinha um metro de altura e pesava 29 quilos, segundo o advogado – foi acusado de agressão criminosa. Sua mãe lutou no tribunal por nove meses, até que um promotor rejeitou as acusações.

Crump, Devon Jacob e Sue-Ann Robinson estão representando Digennaro no processo na esfera federal.

“Este é um exemplo comovente de como nossos sistemas educacionais e policiais treinam crianças para serem criminosas, tratando-as como criminosas - se sentenciada, a criança deste caso seria um cidadão condenado aos oito anos”, disse Crump em um comunicado. “Todos que participaram desse terrível incidente erraram com esse menininho”.

Jacob, um dos advogados, afirmou que o comentário do chefe de polícia, dizendo que esta era uma prisão padrão, era precisamente o problema.

“Esse é o problema. É por isso que temos esse processo. Precisamos encerrar esse litígio”, declarou.

O procurador-chefe da Comarca de Monroe, Val E. Winter, disse em um e-mail que foi feita uma avaliação de saúde mental no menino, na presença do advogado, e que determinou que era para o melhor interesse da criança retirar as acusações, com base no menino idade e avaliação mental.

O caso na esfera local foi encerrado assim que o escritório recebeu a confirmação dos serviços com base no relatório do médico, disse Winter.

O distrito escolar do condado de Monroe não quis comentar. A escola não respondeu a um pedido de entrevista. A professora não foi encontrado para dar sua posição.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).