Grupo de Lima pede apoio 'um governo de transição inclusivo' na Venezuela

Documento divulgado no site do Itamaraty diz que para 'resolução pacífica e viável da crise' nenhum candidato pode ter vantagem indevida sobre os demais

Reuters
14 de agosto de 2020 às 16:03
Presidente venezuelano Nicolás Maduro; Grupo de Lima pede eleições organizada por governo de transição
Foto: Palácio de Miraflores - 4.ago.2020/ Reuters

Membros do Grupo de Lima, do Grupo Internacional de Contato, da União Europeia, e os Estados Unidos, entre outros países pediram apoio nesta sexta-feira (14) de cidadãos e instituições da Venezuela para um governo de transição responsável pela organização de eleições presidenciais no país.

Divulgada na página do Itamaraty nesta sexta, a Declaração Conjunta de Apoio à Mudança Democrática na Venezuela cita a situação humanitária, social e política do país, e lembra que a atual pandemia de Covid-19 tem sobrecarregado o sistema de saúde.

"As eleições para a Assembleia Nacional, por si sós, não representam uma solução política e, ao contrário, podem polarizar ainda mais uma sociedade já dividida", diz a declaração.

"Para uma resolução pacífica e viável da crise, é necessário um governo de transição para organizar eleições presidenciais, de modo que nenhum candidato tenha uma vantagem indevida sobre os demais."

A declaração pede aos cidadãos o engajamento em um "processo desenhado e conduzido pelos venezuelanos" por "um governo de transição inclusivo".

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Também exorta as instituições do Estado venezuelano a participarem do processo, e ressalta que ele precisa incluir a plena capacidade da Assembleia Nacional de exercer suas funções e a independência da Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) e do Conselho Nacional Eleitoral.

Criado com o apoio da União Europeia, o Grupo Internacional de Contato tem a intenção de buscar uma solução para o impasse na Venezuela e é constituído por cerca de uma dúzia de países da Europa e América Latina e organizações governamentais internacionais. Já o Grupo de Lima é formado pelo Brasil e vários países das Américas.

Rica em petróleo, a Venezuela, que enfrenta forte crise sócio-econômica nos últimos anos e é alvo de sanções econômicas, passa por um impasse político que tem de um lado, Juan Guaidó, líder da oposição que se autodeclarou presidente interino com apoio dos EUA e de outros países, inclusive o Brasil, e de outro o presidente Nicolás Maduro.

Milhões de venezuelanos deixaram o país nos últimos anos devido ao colapso econômico e a uma crise humanitária.

Na declaração desta sexta, os membros reiteram "a disposição de todos os países que mantêm sanções econômicas de discutir o abrandamento destas no contexto de progressos na área política".