Unicef: 463 milhões de crianças não conseguiram acesso remoto às aulas

Relatório com análise educacional durante a pandemia do novo coronavírus mostra que um terço das crianças em idade escolar não acessam as aulas online

Julyanne Jucá, da CNN, em São Paulo
27 de agosto de 2020 às 09:33
Nha Nha ajuda a irmã Sopheap a acompanhar aula virtual no Camboja; Unicef diz que mais de 400 milhões de crianças não conseguiram estudar de forma remota
Foto: Thomas Cristofoletti / Unicef

Ao menos 463 milhões de crianças em todo o mundo não conseguiram acessar o conteúdo escolar de forma remota durante a pandemia do novo coronavírus, aponta relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgado nesta quinta-feira (27).

Em um momento em que diversos países do mundo discutem os planos de retomada das aulas, a Unicef divulgou o estudo Remote Learning Reachability (Acessibilidade do aprendizado remoto, em tradução livre), mostrando que um terço das crianças em idade escolar foram incapazes de acessar o ensino disponibilizado pela internet.

Segundo o documento, "a enorme escala de fechamentos de escolas revelou a distribuição desigual de tecnologia necessária para facilitar o aprendizado remoto digital e transmitido em casa, bem como a falta de sistemas para apoiar professores e cuidadores no uso eficaz e seguro da tecnologia para a aprendizagem."

Entre os estudantes que não acessam as aulas online, 75% deles vivem em áreas rurais ou fazem parte de famílias mais pobres. 

Assista e leia também:
Volta às aulas envolve exemplo de autoridades, diz especialista
Famílias com crianças são mais impactadas pela pandemia, aponta Unicef
43% das escolas não têm água e sabão para alunos lavarem suas mãos, diz Unicef

Globalmente, 72% das crianças vivem nas famílias mais pobres de seus países. Ao se analisar, no entanto, países com renda de média alta, esse índice sobre para 86%.

O relatório mostra ainda que mesmo quando há tecnologia e ferramentas suficientes para o acesso às aulas, muitos não são capazes de aprender devido a diversos fatores externos, como obrigação de trabalhar, falta de apoio da família e responsáveis, e a pressão para realizar tarefas domésticas.

Outro aspecto levantado pela Unicef é a região em que o estudante vive. A maior proporção de alunos em idade escolar afetada pelo ensino remoto está concentrada na África.

São 48% (54 milhões) dos alunos da África Subsaariana; 49% (67 milhões) na África Ocidental e Central e 40% (37 milhões) na África Oriental e Meridional.

A região menos afetada, segundo a Unicef, é a América Latina e o Caribe, onde apenas 9% (13 milhões) dos estudantes teriam sido atingidos pela mudança.

Maria, de 9 anos, assiste aula online no celular do pai em campo de refugiados na zona rural de Idlib, na Síria
Foto: Ali Haj Suleiman / Unicef

Com base neste diagnóstico, a Unicef reforça a necessidade de os governos priorizarem a reabertura das escolas e a expansão do acesso à educação, especialmente aos grupos mais vulneráveis.

Além disso, o órgão das Nações Unidas pede que sejam criados sistemas educacionais de adaptados para resistir às futuras crises. 

Em junho de 2020, a Coalização Global de Educação, formada por Unicef Brasil, Unesco, Banco Mundial e o Programa Mundial de Alimentos, emitiu um documento com conselhos práticos para os governos.

O Marco de ação e recomendações para a reabertura de escolas traz recomendações exclusivas para o momento de reabertura das escolas.