Trump diz que poderá haver vacina contra Covid-19 'em três ou quatro semanas'


Andrea Shalal, da Reuters
16 de setembro de 2020 às 01:29 | Atualizado 16 de setembro de 2020 às 04:23
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump 

Foto: Tom Brenner/Reuters

Em entrevista à rede ABC, Donald Trump, disse, nesta terça-feira (15), que uma vacina contra o novo coronavírus pode levar "três ou quatro semanas" para estar disponível, apesar das notas de advertência feitas por alguns funcionários da saúde pública dos Estados Unidos sobre o que poderia ser um cronograma acelerado.

Trump, falando diretamente da Filadélfia, defendeu sua forma de lidar com a crise da Covid-19 e afirmou que uma vacina poderia estar pronta para distribuição antes da eleição presidencial dos EUA em 3 de novembro.

“Estamos muito perto de ter uma vacina”, disse ele. "Se você quiser saber a verdade, a administração anterior levaria talvez anos para ter uma vacina por causa do FDA (órgão regulador) e todas as aprovações. E estamos dentro de semanas para obtê-la... pode levar três semanas, quatro semanas...", comentou.

Nos últimos dias, diante de alegações do presidente americano sobre a aprovação de uma vacina em 2020, especialistas afirmaram não ser possível ter uma vacina cientificamente confiável disponível até pelo menos o início de 2021.

Na entrevista desta terça, Trump se irritou com perguntas do público e do apresentador da ABC News, George Stephanopoulos, sobre a pandemia. Ele defendeu suas ações contra a propagação do vírus, argumentando que sua decisão de restringir viagens originárias da China e da Europa salvou "milhares ou milhões de vidas".

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Trump também defendeu os americanos que evitam as máscaras e as diretrizes de distanciamento social, afirmando que até especialistas mudaram suas opiniões sobre essas práticas durante a crise.

O presidente americano tem enfrentado críticas por realizar eventos de campanha em grande escala em Nevada e outros estados - eventos que seu conselheiro para assuntos médicos, Anthony Fauci, descreveu como "absolutamente" arriscados.

Seu adversário democrata, o ex-vice-presidente Joe Biden, acusou na semana passada Trump de "negligência" do dever em lidar com a pandemia.

Os Estados Unidos notificaram quase 6,6 milhões de casos do novo coronavírus até o momento e quase 195 mil mortes. Isso representa 20% dos casos em todo o mundo, embora os Estados Unidos tenham apenas 4% da população mundial.

Segundo Trump, a desproporção é explicada pelo fato dos Estados Unidos teram feito "mais testes" do que outros países.

O republicano também repetiu sua afirmação desde o início da pandemia de que o vírus desapareceria por conta própria e negou subestimar a ameaça da doença quando questionado por um membro da audiência por que ele "minimizou uma pandemia que é conhecida por prejudicar desproporcionalmente famílias de baixa renda e comunidades minoritárias. "

"Eu não subestimei. Na verdade, de várias maneiras, eu superestimei, em termos de ação. Minha ação foi muito forte", disse o presidente.

Trump também foi ironizado nas redes sociais quando falou sobre "mentalidade de rebanho" em vez de "imunidade de rebanho", uma forma de proteção indireta contra doenças infecciosas que ocorre quando um número suficiente de pessoas se torna imune por meio de vacinação ou infecções anteriores.

"Ele [o vírus] iria embora sem a vacina ... mas irá embora muito mais rápido com ela", disse ele. "Você vai desenvolver ... uma mentalidade de rebanho."