Um Nobel para Greta Thunberg? Na era das mudanças climáticas, é possível

Rosto da nova geração, que se manifesta diante mudanças climáticas, Thunberg pode ser boa candidata para o prêmio

Gwladys Fouché da Reuters
17 de setembro de 2020 às 11:49
Greta Thunberg discursa no Parlamento Europeu, em Bruxelas, na Bélgica
Foto: Yves Herman/Reuters (4.mar.2020)

O Prêmio Nobel da Paz deste ano pode ir para a ativista do meio ambiente Greta Thunberg e o movimento "Fridays for Future" (Sextas-feiras para o futuro) para destacar a ligação entre os danos ambientais e a ameaça à paz e segurança, de acordo com especialistas no Nobel.

O vencedor do prêmio de US$ 1 milhão, indiscutivelmente uma das maiores honrarias do mundo, será anunciado em Oslo no dia 9 de outubro. O prêmio, que tem 318 candidatos em 2020, pode ser dividido em até três formas.

A ativista sueca de 17 anos foi nomeada por três legisladores noruegueses e dois parlamentares suecos e, se ganhar, receberá o prêmio na mesma idade que Malala Yousafzai, do Paquistão, a mais jovem laureada com o Nobel até agora.

Asle Sveen, historiadora e autora de vários livros sobre o prêmio, disse que Thunberg seria uma forte candidata ao prêmio deste ano, sua segunda indicação em dois anos, por causa dos incêndios florestais na Costa Oeste dos Estados Unidos e o aumento das temperaturas no Ártico “deixando as pessoas sem dúvida” sobre o aquecimento global.

“Nenhuma pessoa fez mais para que o mundo se concentrasse nas mudanças climáticas do que ela”, disse Sveen à Reuters.

O comitê já concedeu o prêmio a ambientalistas em outras ocasiões, começando com Wangari Maathai do Quênia em 2004 por sua campanha para plantar 30 milhões de árvores em toda a África, e em 2007 para Al Gore e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.

Leia também:
Relatório da ONU afirma que mundo não cumpriu nenhuma meta para salvar natureza
Buracos misteriosos na tundra siberiana podem estar ligados às mudanças do clima

Na era da crise do coronavírus, o comitê também pode escolher destacar a ameaça de pandemias para a paz e a segurança, disse Dan Smith, diretor do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo.

“Há uma relação entre os danos ambientais e nosso problema crescente com pandemias e acho que o Comitê do Prêmio Nobel da Paz poderia querer destacar isso”, afirmou.

Para Smith, se a comissão quisesse destacar esta tendência, “há obviamente a tentação de premiar Greta Thunberg”.

O movimento "Fridays for Future" começou em 2018, quando Thunberg deu início a uma greve em escolas na Suécia para pressionar por uma ação sobre o clima. Desde então, tornou-se um protesto global.

Greta e seu pai Svante Thunberg, que às vezes lida com a imprensa no lugar da filha, não responderam aos pedidos de comentários.

Muitos ficaram céticos quando Greta se tornou a favorita da casa de apostas para ganhar o Prêmio Nobel da Paz no ano passado, especialmente por causa de sua idade, mas sua segunda indicação pode aumentar suas chances.

“Greta foi indicada novamente, como foi o caso de Malala. Eu disse que Malala era jovem quando foi nomeada pela primeira vez e disse que Greta era jovem quando foi indicada pela primeira vez”, disse Sveen.

Malala Yousafzai venceu em 2014.

Outros candidatos conhecidos incluem o “povo de Hong Kong”, a OTAN, o trio Julian Assange, Chelsea Manning e Edward Snowden e a ativista saudita presa Loujain al-Hathloul.

Outras opções possíveis são a organização Repórteres Sem Fronteiras, a chanceler alemã Angela Merkel e a Organização Mundial da Saúde, disseram os especialistas, embora não esteja claro se eles foram indicados.

Há 50 anos, as indicações são secretas, mas aqueles que indicam podem optar por divulgar suas escolhas. Milhares de pessoas podem se candidatar para indicar, incluindo membros de parlamentos e governos, professores universitários e ex-laureados.

Não se sabe se Donald Trump foi indicado para o prêmio deste ano, embora ele esteja concorrendo ao prêmio do ano que vem depois que um legislador norueguês nomeou o presidente dos Estados Unidos por ajudar a intermediar um acordo entre Israel e os Emirados Árabes Unidos.

De acordo com Sveen e Smith, é improvável que ele ganhe, especialmente por seu desmantelamento dos tratados internacionais para limitar a proliferação de armas nucleares, uma causa cara aos comitês do Nobel.

“Ele é divisivo e parece não ter uma posição clara contra a violência que a direita perpetra nos Estados Unidos”, disse Smith.

“E isso é só o começo”.