Trump diz que deve indicar uma mulher para substituir Ruth Ginsburg na Corte

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Reuters
19 de setembro de 2020 às 21:02 | Atualizado 19 de setembro de 2020 às 21:25

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou neste sábado (19) duas mulheres como possíveis escolhas para a Suprema Corte. Elas são conservadoras que inclinariam a Corte mais para a direita após a morte da progressista Ruth Bader Ginsburg. 

Trump, com a chance de indicar um terceiro ministro para um cargo vitalício, indicou Amy Coney Barett, do tribunal de Chicago, e Barbara Lagoa, do tribunal de Atlanta, como as possíveis nomeadas. Trump disse ter uma lista de potenciais sucessores, prometeu agir rapidamente e rejeitou sugestões de segurar a indicação até depois das eleições de novembro. 

"Temos uma obrigação. Nós vencemos e temos uma obrigação como vencedores de escolhermos quem quisermos. Não é o próximo presidente", disse. "Nós estamos aqui agora."

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Foto: Tom Brenner/Reuters (18.set.2020)


O chefe de gabinete da Casa Branca Mark Meadows disse a repórteres em uma viagem de campanha ao estado da Carolina do Norte que a abertura da vaga desvia o foco para a Suprema Corte "para ambos os lados, sem dúvida". 

A morte de Ginsburg por um câncer após 27 anos de magistratura deu a Trump, que busca a reeleição em 3 de novembro, a oportunidade de expandir a maioria conservadora para 6 a 3 no tribunal, em tempos de uma polarização política profunda no país.

Qualquer nomeação depende de aprovação no Senado, onde o partido Republicano de Trump tem uma maioria de 53-47. 

O presidente afirmou que espera fazer uma "escolha muito popular" na próxima semana. Ele já indicou dois juízes para a Suprema Corte: Neil Gorsuch em 2017 e Brett Kavanaugh em 2018. Kavanaugh foi aprovado por pouco após um processo conturbado de votação em que ele negou veementemente acusações de um abuso sexual que teria acontecido em 1982.

Durante a campanha presidencial de 2016, Trump prometeu indicar juízes que reverteriam a decisão sobre o aborto, um objetivo de longo tempo de ativistas conservadores. Mesmo com a maioria conservadora atual, a corte derrubou por 5 a 4 uma lei que restringia o aborto no Alabama. 

Possíveis escolhidas

Mesmo antes da morte de Ginsburg, Trump indicava uma lista de possíveis sucessores para a posição dela. 

Barrett talvez tenha gerado o maior interesse nos círculos conservadores. Católica devota, ela foi acadêmica de direito na Escola de Direito de Notre Dame em Indiana antes de Trump indicá-la à 7ª Vara em 2017. Ativistas pelo direito ao aborto apontaram as visões conservadoras de Barrett e disseram que, como juíza, ela provavelmente votaria para derrubar a decisão emblemática da Suprema Corte que legalizou a interrupção da gravidez em todo o território americano. 

Lagoa está no Tribunal Federal de Apelações há menos de um ano, após Trump a nomear e o Senado aprovar em uma votação de 80-15. Antes disso, ela passou menos de um ano em seu posto anterior como a primeira latina na Suprema Corte da Flórida.