Snowden concorda em entregar aos EUA US$ 5 mi obtidos com livros e palestras

Ex-funcionário da CIA divulgou informações sigilosas sobre o governo norte-americano em 2013

Katelyn Polantz, da CNN
22 de setembro de 2020 às 07:29
Snowden já participou de 56 palestras pagas que incluíram revelações que violaram o acordo de sigilo assinado com o governo, segundo o processo judicial
Foto: Reprodução - 17.set.2019 / Reuters

Edward Snowden, ex-funcionário da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA, em inglês) que divulgou informações sigilosas em 2013, concordou em entregar ao governo norte-americano mais de US$ 5 milhões que ele ganhou com a venda de seu livro e a realização de palestras, segundo documentos judiciais.

Ele publicou o livro Eterna Vigilância (2019) sem a aprovação do governo, em uma violação dos contratos assinados com a CIA e a Agência de Segurança Nacional.

Um juiz federal apoiou o Departamento de Justiça do país em um processo para o governo recuperar os rendimentos de Snowden, e estava analisando quanto ele deveria pagar. O magistrado ainda não aprovou todo o plano de confisco.

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O caso representa uma das poucas formas que o governo dos EUA encontrou para responsabilizar ex-funcionários por divulgações não autorizadas. 

John Bolton, o ex-conselheiro de Segurança Nacional que publicou um livro polêmico sobre o presidente Donald Trump no começo deste ano, enfrenta uma ação parecida no Departamento de Justiça, que tenta confiscar os lucros obtidos com a publicação da obra. O caso ainda está em andamento, e uma audiência está agendada para esta semana. Bolton contesta as acusações do governo.

Lucro com livros e palestras

Snowden, que vive na Rússia, já ganhou até este mês US$ 4,2 milhões com a venda de seu livro, royalties e direitos relacionados. Ele participou de 56 palestras pagas que incluíram revelações que violaram o acordo de sigilo assinado com o governo, segundo o processo judicial.

Ao todo, Snowden obteve cerca de US$ 1,03 milhão com as palestras, que custam em média US$ 18 mil.

O dinheiro será devolvido em crédito, de acordo com o plano com o qual Snowden e o governo Trump concordaram.

Um advogado de Snowden disse que o tratado não significa que o governo norte-americano poderá coletar o dinheiro imediatamente, já que o ex-funcionário da CIA está considerando apelar à decisão anterior do juiz de que ele era o responsável pelas divulgações.

“Não é como se ele fosse desembolsar o dinheiro. Isso dá a eles [governo dos EUA] a ideia de que o obteriam de qualquer maneira", disse Lawrence Lustberg, advogado de Snowden, na segunda-feira (21), destacando que pode ser difícil para Washington obter acesso aos fundos de Snowden se estes forem mantidos fora do país.

(Texto traduzido. Leia o original em inglês.)