Em novo dia de ataques, Armênia e Azerbaijão rejeitam negociações de paz

Governos se acusam de atirar diretamente no território um do outro, à medida em que o conflito pelo enclave de Nagorno-Karabakh ameaça ganhar maiores proporções

Nailia Bagirova e Nvard Hovhannisyan, da Reuters
30 de setembro de 2020 às 03:56
Nagorno-Karabakh é reconhecido pelas leis internacionais como parte do Azerbaijão, mas os armênios étnicos rejeitam o domínio
Foto: Reprodução - 28.set.2020 / Reuters

Armênia e Azerbaijão se acusaram, nesta terça-feira (29), de atirar diretamente no território um do outro e rejeitaram as pressões para negociações de paz, à medida em que o conflito pelo enclave de Nagorno-Karabakh ameaça ganhar maiores proporções.

Ambos relataram disparos do outro lado através de sua fronteira compartilhada, bem a oeste da região separatista de Nagorno-Karabakh, sobre a qual estouraram combates entre as forças azeris e de etnia armênia no domingo.

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Os incidentes sinalizaram uma nova escalada do conflito, apesar dos apelos urgentes da Rússia, dos Estados Unidos e outros para detê-lo.

O conflito reacendeu as preocupações com a estabilidade na região do Sul do Cáucaso, um corredor para oleodutos que transportam petróleo e gás para os mercados mundiais.

O presidente azeri, Ilham Aliyev, falando à televisão estatal russa, descartou categoricamente qualquer possibilidade de negociações. O primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan, disse ao mesmo canal que eles não poderiam acontecer enquanto os combates continuassem.

Nagorno-Karabakh é uma região separatista dentro do Azerbaijão, mas administrada por armênios étnicos e apoiada pela Armênia. Rompeu com o Azerbaijão em uma guerra dos anos 1990, mas não é reconhecida por nenhum país como uma república independente.