Parlamento de Israel aprova decreto que proíbe protestos a mais de 1 km de casa

Governo diz que medida temporária é parte do lockdown para conter Covid-19, mas opositores veem tentativa de reprimir atos contra premiê Benjamin Netanyahu

Jeffrey Heller, da Reuters
30 de setembro de 2020 às 03:49
Benjamin Netanyahu discursa no Parlamento de Israel
Foto: Reuters

O parlamento de Israel aprovou um decreto apoiado pelo governo na quarta-feira que provavelmente reprimirá os protestos contra o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que enfrenta crescente descontentamento de parte da população por denúncias de corrupção e a forma como lidou com a crise do coronavírus.

A legislação, ratificada após um debate que durou toda a noite no Knesset, proíbe os israelenses de realizar manifestações a mais de 1 quilômetro de suas casas, uma medida que o governo disse ter como objetivo reduzir as infecções por Covid-19.

Leia também:
França vai proibir uso de animais selvagens em circos

Os críticos da nova medida, que se torna parte do segundo lockdown nacional de Israel que entrou em vigor em 18 de setembro, disseram que o objetivo da medida é impedir protestos perto da residência oficial de Netanyahu em Jerusalém.

"Qual é o próximo passo? Proibir o líder da oposição de se dirigir ao parlamento?", tuitou Yair Lapid, que lidera a oposição no Parlamento.

Durante semanas, milhares de manifestantes se reuniram para pedir a renúncia de Netanyahu.

As pesquisas de opinião mostram que apenas cerca de um quarto do público tem confiança na maneira como ele lidou com a pandemia, que em grande parte diminuiu durante o lockdown entre março e maio.

Horas antes da votação, centenas de israelenses protestaram em frente ao parlamento, chamando o limite de protesto de um golpe contra a democracia.