Salles rebate Biden, critica 'hipocrisia internacional' e o Acordo de Paris

Ministro do Meio Ambiente afirma que país 'não viu um centavo' do acerto global de 2015 e que os US$ 20 bilhões cogitados por Biden deveriam ser anuais

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
30 de setembro de 2020 às 21:49

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, criticou o que chamou de "hipocrisia internacional" a respeito da situação ambiental no Brasil, em especial na Amazônia e no Pantanal. 

Em entrevista à CNN, ele voltou a criticar o candidato democrata a presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pela fala feita durante o debate presidencial de que as "florestas desmoronam" no Brasil e que pode impor uma sanção econômica ao país caso seja eleito.

Pela manhã, Salles já havia ironizado a sugestão de Biden, de criar um fundo de US$ 20 bilhões para ajudar o Brasil com o combate ao desmatamento.

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Durante a conversa desta quarta, o ministro afirmou que o democrata disse "bobagens" e que esse valor só seria significativo caso fosse anual. "Falar que vai dar US$ 20 bilhões em dez anos não é compatível com o tamanho do desafio da Amazônia", criticou Salles.

"Há uma hipocrisia a respeito da Amazônia e do Pantanal nesse momento, assim como aconteceu em tempos passados. Veja que a Califórnia está pegando fogo, em um governo democrata, do mesmo partido do Joe Biden, que falou aquelas bobagens no debate", disse o ministro.

Ricardo Salles foi entrevistado pelos âncoras Caio Junqueira e Monalisa Perrone e pelo colunista Lourival Sant'Anna.

O ministro do Meio Ambiente incluiu no debate o Acordo de Paris, acerto firmado em 2015 para a redução das emissões de carbono. Salles afirmou que o Brasil está prejudicado pelo que diz ser uma falta de regulamentação do chamado mercado de crédito de carbono e um "protecionismo" por parte da Europa.

Um dos dispositivos do Acordo de Paris é que países em desenvolvimento pudessem receber investimentos da ordem de US$ 100 bilhões por esse mecanismo, para medidas de combate à mudança climática. 

"O Acordo de Paris, quando foi assinado em 2015, prometeu US$ 100 bilhões por ano e nós não vimos nada desse dinheiro ainda", criticou Ricardo Salles.

Durante o debate das eleições nos Estados Unidos, Joe Biden prometeu recolocar os Estados Unidos no Acordo de Paris, revertendo a saída posta em prática durante o governo Trump. O atual presidente afirmou que o acordo de 2015 prejudicava as empresas americanas e tinha termos injustos para o país.