Biden abre 10 pontos de vantagem depois que Trump foi diagnosticado com Covid-19


Chris Kahn, da Reuters
04 de outubro de 2020 às 08:51 | Atualizado 04 de outubro de 2020 às 18:18

O democrata Joe Biden abriu sua maior vantagem em um mês na corrida presidencial dos EUA depois que o presidente Donald Trump testou positivo para o coronavírus. A maioria dos americanos acredita que Trump poderia ter evitado a infecção se tivesse levado o vírus mais a sério, de acordo com uma pesquisa Reuters / Ipsos divulgada neste domingo (4).

A pesquisa de opinião nacional realizada entre 2 e 3 de outubro deu poucos indícios de uma manifestação de apoio ao presidente, além do grupo de seguidores de Trump.

Trump repetidamente rejeitou a gravidade da pandemia como algo que desapareceria por conta própria, repreendendo Biden na semana passada por usar uma máscara, mesmo quando o coronavírus infectou milhões de pessoas e forçou o fechamento de empresas e escolas.

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Donald Trump e Joe Biden durante debate em Cleveland

Donald Trump e Joe Biden durante debate em Cleveland

Foto: Morry Gash - 29.set.2020/ Reuters


Entre os adultos que devem votar nas eleições até 3 de novembro, a pesquisa descobriu que 51% apoiavam Biden, enquanto 41% disseram que votavam em Trump. Outros 4% estavam escolhendo um terceiro candidato e outros 4% disseram que estavam indecisos.

A vantagem de 10 pontos de Biden sobre Trump é de 1 a 2 pontos maior do que as intenções das últimas semanas, embora o aumento ainda esteja dentro da margem de erro da pesquisa de mais ou menos 5 pontos percentuais.

Faltando cerca de um mês para a eleição, Biden manteve uma vantagem inicial para garantir o voto popular nacional. Mas para ganhar a presidência, um candidato deve prevalecer em estados suficientes para ganhar o Colégio Eleitoral, e as pesquisas estaduais mostram que Trump é quase tão popular quanto Biden nos estados.

Trump, de 74 anos, foi transferido para Walter Reed na sexta-feira, horas depois de twittar que foi diagnosticado com Covid-19. O anúncio desencadeou uma avalanche de notícias: celulares e tevê mostravam alertas de que Trump se sentiu febril e precisou de oxigênio, vários líderes republicanos que estiveram próximos do presidente anunciaram que também testaram positivo para Covid-19.

A maioria dos americanos continua profundamente preocupada com o vírus, e a pesquisa descobriu que 65% — incluindo 9 em cada 10 democratas e 5 em cada 10 republicanos — disseram que "se o presidente Trump tivesse levado o coronavírus mais a sério provavelmente não teria se infectado".

Apenas 34% disseram que Trump estava dizendo a verdade sobre o coronavírus. Outros 55% afirmaram que ele não tinha dito a verdade e 11% não tinham certeza.

Dos entrevistados, 57% dos americanos disseram que desaprovavam a resposta de Trump à pandemia Covid-19 em geral, cerca de 3 pontos acima de uma pesquisa realizada no final da semana passada.

Os americanos também parecem apoiar amplamente a redução da corrida presidencial de 2020 para garantir a segurança de todos.

67% dos americanos querem interromper os comícios de campanha pessoais e 59% acham que os debates presidenciais devem ser adiados até que Trump se recupere do coronavírus.

Não está claro neste ponto como o diagnóstico de Trump impactará o próximo debate presidencial, que está agendado para 15 de outubro. O primeiro debate vice-presidencial entre a democrata Kamala Harris e o republicano Mike Pence está agendado para quinta-feira.

A pesquisa Reuters / Ipsos foi realizada pela internet, em inglês, em todos os Estados Unidos. Coletou respostas de 1.005 adultos, incluindo 596 prováveis eleitores.

Apenas cerca de 61% dos americanos com idade para votar realmente votaram nas eleições de 2016.