Brasileira casada com o vice-governador da Pensilvânia sofre racismo nos EUA


Fabricio Julião*, da CNN, em São Paulo
13 de outubro de 2020 às 09:14 | Atualizado 13 de outubro de 2020 às 10:09

A brasileira Gisele Barreto Fetterman, casada com o com vice-governador da Pensilvânia, John Fetterman, passou por um episódio de racismo em um supermercado na cidade de Forest Hills, nos Estados Unidos. Ela revelou o caso em uma publicação no Twitter, no domingo (11).

Gisele contou à CNN que foi fazer compras em um supermercado perto de sua casa, quando uma mulher a reconheceu e começou a segui-la, proferindo xingamentos racistas. A brasileira disse que geralmente anda com seguranças, mas estava sozinha no momento da agressão verbal.

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A brasileira Gisele Barreto Fetterman, casada com vice-governador da Pensilvânia

A brasileira Gisele Barreto Fetterman, casada com o vice-governador da Pensilvânia

Foto: Reprodução/Twitter

Após sair do estabelecimento, os ataques continuaram no estacionamento. Gisele então pegou o celular e começou a filmar a mulher, que continuou com as ofensas. Por meio de um vídeo, é possível ver a senhora tirando a máscara e chamando a brasileira de "nigga" (palavra pejorativa para se referir a afro-americanos).

A segunda-dama afirmou que tirou uma foto da placa do carro da agressora e enviou para sua equipe, que já está tomando as ações legais na Justiça.

"Eu amo, amo, amo este país, mas estamos profundamente divididos. Fui agredida verbalmente por uma mulher que repetidamente me disse que eu não pertenço a este lugar", escreveu Gisele, em sua publicação no Twitter. "O confronto continuou no estacionamento, onde pude finalmente fazer uma captura do momento, após o choro sem fôlego diminuir", contou.

Gisele, 38, se mudou para os Estados Unidos aos oito anos de idade.

O vice-governador também se manifestou sobre o caso e agradeceu àqueles que apoiaram a esposa. "Gisele, amo profundamente este país e nossa comunidade. Obrigado, Pensilvânia, por ficar ao lado da Gisele".

Fatterman também agradeceu o governador do estado, Tom Wolf, pelo apoio à mulher. "Estou profundamente agradecido pelo suporte concedido pelo governador à Gisele", escreveu.

Wolf manifestou repúdio ao caso nesta segunda-feira (12), via rede social. "A intimidação étnica e o discurso de ódio contra a segunda-dama da Pensilvânia são vergonhosos e inaceitáveis. O racismo é sempre inaceitável e indigno dos cidadãos da Pensilvânia. Ninguém deve sentir que não é bem-vindo em nossa comunidade por causa de sua raça ou etnia", disse.

O governador destacou que Gisele contribui para a diversidade e por tornar a Pensilvânia um lugar inclusivo, e encerrou dizendo que a segunda-dama tem seu apoio. Além dele, o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, e o senador Bob Casey Jr repudiaram o ato racista e ofereceram suporte à brasileira.

A segunda-dama disse à CNN que recebe mensagens de cunho racista pelas redes sociais com frequência, mas é a primeira vez que passa pelos ataques pessoalmente. "É triste dizer que estou acostumada, mas é a realidade. Infelizmente vejo este tipo de comentário na internet".

Apesar do ocorrido, Gisele afirmou que obteve o apoio de muitos cidadãos da Pensilvânia, e não se deixará abalar pelo episódio. “Ela não representa os EUA ou a Pensilvânia”, completou.

*Sob supervisão de Julyanne Jucá