Azerbaijão e Armênia se acusam mutuamente de ter violado trégua com bombardeios


Nailia Bagirova e Nvard Hovhannisyan, da Reuters
17 de outubro de 2020 às 05:29 | Atualizado 17 de outubro de 2020 às 05:37
Soldado armênio dispara contra forças do Azerbaijão durante confronto

Soldado armênio dispara contra forças do Azerbaijão durante confronto

Foto: Ministério da Defesa da Armênia - 29.set.2020 / Reuters

Azerbaijão e Armênia se acusaram mutuamente, neste sábado (17), de ataques que violam uma trégua mediada pela Rússia. Assim, os piores combates no sul do Cáucaso desde os anos 1990 continuam.

Baku afirmou que 13 civis azeris foram mortos e mais de 40 feridos na cidade de Ganja por um ataque de míssil armênio, enquanto Yerevan acusou o Azerbaijão de bombardeios contínuos.

O conflito é o pior na região desde que o Azerbaijão e as forças étnicas armênias entraram em guerra na década de 1990 por causa de Nagorno-Karabakh, uma região azeri separatista predominantemente povoada e governada por armênios étnicos.

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O conflito corre o risco de criar um desastre humanitário, especialmente se envolver a Rússia e a Turquia, dizem especialistas e diplomatas.

O gabinete do procurador-geral do Azerbaijão afirmou que uma área residencial na segunda maior cidade do país, a quilômetros de Nagorno-Karabakh, foi atingida por ataques de mísseis e cerca de 20 prédios residenciais foram atingidos.

Segundo testemunhas, algumas casas foram quase destruídas em Ganja. Uma escavadeira estava limpando os destroços neste sábado.

A promotoria afirmou, ainda, que a Armênia também tinha mísseis contra a cidade de Mingechavir, mas que o sistema de defesa aérea azeri os derrubou.

Já o Ministério da Defesa da Armênia negou a alegação do Azerbaijão de bombardear cidades no território do país vizinho e acusou Baku de continuar a bombardear áreas povoadas dentro de Nagorno-Karabakh, incluindo Stepanakert, a maior cidade da região.

Centenas de pessoas morreram desde a retomada dos conflitos em 27 de setembro e houve mais sinais no sábado de que o cessar-fogo acordado há uma semana - para permitir que as partes trocassem os detidos e os corpos dos mortos - foi praticamente desfeito.

Três civis ficaram feridos neste sábado em consequência do fogo azeri, disse o Ministério das Relações Exteriores da Armênia. Em Stepanakert, testemunhas também dizem ter ouvido várias explosões nas primeiras horas da manhã.

Ainda segundo a Armênia, vários drones azeris sobrevoaram assentamentos no país, atacando instalações militares e danificando a infraestrutura civil.