Debate é última chance de Trump mudar rumo das eleições, diz analista americano

'É a última chance de Trump aparecer na frente de dezenas de milhões de americanos para tentar mudar a trajetória das eleições', disse David Chalian

Da CNN, em São Paulo
21 de outubro de 2020 às 23:29

Com as eleições americanas chegando em sua reta final, as campanhas de Donald Trump e Joe Biden vêm jogando na mesa suas últimas cartas. Para o analista da CNN americana David Chalian, o debate desta quinta-feira (22) será vital, especialmente para o atual presidente.

“É a última chance de Trump aparecer na frente de dezenas de milhões de americanos para tentar mudar a trajetória das eleições, já que parece não querer mudar nada de sua campanha agora”, disse Chalian.

“Trump é seu próprio diretor de comunicação, seu próprio chefe de campanha. Se tivéssemos uma equipe de profissionais no comando, veríamos algo diferente de sua campanha, não veríamos Trump aceitar uma entrevista e depois interromper ela no meio, não veríamos Trump mentir sobre o coronavírus. A força de trump é a economia, mas ele prefere expressar seus ressentimentos.”

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Foto: Erin Scott/Reuters (5.out.2020)

Chalian também ressalta que, apesar das últimas pesquisas se mostrarem favoráveis a Joe Biden, não se deve entrar no campo das previsões, e que o foco da campanha democrata deve ser nos estados onde Hillary Clinton perdeu por pouca margem em 2016.

“Biden tem vantagens em alguns dos estados onde Clinton perdeu por pouco há quatro anos. O democrata pode vencer nesses estados, mas não sabemos ainda. Por isso que o debate vai ser crucial.”

Tensão eleitoral

O analista também comentou sobre o clima beligerante nos Estados Unidos neste período eleitoral, e disse ver o povo americano “angustiado” no momento.

“O eleitorado está tenso e Trump se aproveita disso para tentar aumentar as divisões nos EUA. Já a principal mensagem de Biden é a de restaurar a alma da nação, para baixar a temperatura,” disse Chalian.

“Não teremos o resultado das eleições na noite de 3 novembro, então não descarto a possibilidade de as pessoas dos dois lados políticos saírem às ruas para expressar suas reações.”

(Edição do texto: Paulo Toledo Piza).