Gêmeas siamesas são separadas após 3 cirurgias; médico explica procedimento

Na edição desta quinta-feira (22) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes explica que trata-se de gêmeos craniópagos

Da CNN
22 de outubro de 2020 às 09:56

 

Depois de cinco meses internadas, as gêmeas paquistanesas Safa e Marwa, de três anos, receberam alta. As crianças nasceram unidas pela cabeça e passaram por três cirurgias para serem separadas.

Moradoras do Paquistão, elas viajaram a Londres, onde passaram pela primeira operação. Cem profissionais de saúde participaram da ação.

Na edição desta quinta-feira (22) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes explica que trata-se de um caso de gêmeos craniópagos e como funciona o procedimento para a separação. 

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As crianças nasceram unidas pela cabeça e passaram por três cirurgias
Foto: Divulgação/Great Ormond Street Hospital
 
"Eles são univitelinos que, em determinado momento, deveriam ter se separado na sua constituição biológica interna, mas isso não aconteceu", detalha o especialista.  

Devido a isso, as gêmeas tiveram o desenvolvimento do corpo compartilhando determinada região em comum. Esse compartilhamento, ele explica, vai além do cérebro. "Os próprios envoltórios, como dura-máter e meninges, as veias e até mesmo alguns vasos sanguíneos", completa.

De acordo com Gomes, essa complexidade torna as cirurgias "extremamente desafiadoras" e "traduz uma necessidade de um trabalho multidisciplinar, e não só da neurocirurgia, mas também da cirurgia plástica, anestesia, corpo de enfermagem e terapeutas envolvidos".

"Isso porque, hoje em dia, esse processo de divisão é feito em etapas de várias cirurgias, nas quais fazemos um planejamento e uma impressão 3D antes de, de fato, realizar o procedimento, já prevendo o passo a passo do que o cirurgião deve ou não separar", descreve.

Com esse cenário delicado, o neurocirurgião comemora o avanço da tecnologia. "Um procedimento bem-sucedido como esse mostra que é possível e que a tecnologia faz toda a diferença", classifica.

"Graças a isso, os resultados acabam sendo melhores do que antigamente, quando dependiam simplesmente do cirurgião e não tínhamos tanto arsenal tecnológico", conclui.

As gêmeas paquistanesas Safa e Marwa no hospital
Foto: Divulgação/Great Ormond Street Hospital

(Edição: André Rigue)