Países que interferirem na nossa eleição pagarão, diz Biden

Candidato democrata e o atual presidente Donald Trump trocaram acusações sobre a sua política externa

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
22 de outubro de 2020 às 22:59 | Atualizado 23 de outubro de 2020 às 00:38

O candidato do Partido Democrata a presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que se for eleito para a Casa Branca tomará medidas duras contra países que tentarem interferir na integridade das eleições do país.

A resposta foi dada uma pergunta de Kristen Welker, mediadora do último debate entre Biden e Trump, que citou relatos de interferências externas tanto nas eleições de 2016 como nas deste ano.

"Qualquer país, não importa quem seja, que interfira nas eleições dos Estados Unidos, vai pagar o preço", disse o ex-vice-presidente. "Eles estão interferindo com a soberania americana. É isto que está acontecendo agora", criticou.

Leia também

O que é o Obamacare e por que a regra opõe Biden e Trump

Como funciona a eleição nos EUA

Pais de 545 crianças separadas na fronteira dos EUA ainda não foram encontrados

Joe Biden durante o último debate antes da eleição presidencial dos Estados Unidos
Foto: Reprodução/CNN (22.out.2020)

Joe Biden afirmou, expressamente, que entre os países que estão sendo citados em relatórios de inteligência, a Rússia e o seu presidente, Vladimir Putin, estão engajados em prejudicá-lo.

"Tudo o que está acontecendo aqui é que a Rússia não quer que eu seja eleito presidente dos Estados Unidos, porque eles sabem que eu sei quem eles são e eles me conhecem."

Acusações

A proposta do tema provocou uma troca de acusações entre os dois candidatos. Joe Biden afirmou que os russos são suspeitos de interferências contra sua correligionária Hillary Clinton, derrotada por Trump em 2016, e insinuou que o atual presidente tenha sido leniente com ação estrangeira nos EUA.

"Até onde eu sei, ele não falou nada para o Putin sobre isso até agora. Eu me pergunto porque ele não falou nada para Putin", disse o candidato, colocando relações entre Rudolph Giuliani, advogado de Trump e ex-prefeito de Nova York, e a Rússia.

Em seu momento de fala, Donald Trump acusou Biden de ter recebido US$ 3,5 milhões de dinheiro da Rússia e corroborou as críticas ao país, apenas invertendo o sinal de que ele, Trump, é quem vai de fato adotar medidas contra o regime de Putin.

"Ninguém foi mais duro com a Rússia do que Donald Trump", afirmou, citando a si mesmo em terceira pessoa. O presidente mencionou medidas na Otan e relembrou a anexação da Crimeia, que era parte da Ucrânia, pela Rússia em 2014. "Durante o seu mandato e de Barack Obama, vocês deixaram eles anexarem uma parte da Ucrânia", criticou.

Ao que Biden respondeu: "Eu não recebi nenhum centavo de nenhum país na minha vida. Esse presidente pagou 15 vezes mais impostos na China", disse em referência a negócios e conta à bancária de Trump no país asiático.

Outro tema colocado em pauta, ainda a respeito da mesma região, foi a ligação entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky, que resultou em um processo de impeachment contra o atual presidente. Biden reiterou a acusação de que Trump utilizou o seu cargo para interesses pessoais, ao tentar "subornar" o país a investigá-lo.