EUA anunciam cessar-fogo entre Armênia e Azerbaijão

Anúncio foi feito após o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, manter reuniões separadas com os ministros das Relações Exteriores dos dois países

Gabriel Passeri* Da CNN, em São Paulo
25 de outubro de 2020 às 23:00
Os Estados Unidos anunciaram neste domingo (25) que autoridades de Azerbaijão e Armênia entraram em acordo e respeitarão um cessar-fogo humanitário. A medida entrará em vigor na próxima segunda-feira (26), às 8h no horário local, segundo comunicado conjunto do Departamento de Estado dos EUA e dos governos de ambas as nações.

“Parabéns ao primeiro-ministro armênio Nikol Pashinyan e ao presidente do Azerbaijão Ilham Aliyev, que concordou em aderir a um cessar-fogo efetivo à meia-noite. Muitas vidas serão salvas”, escreveu o presidente dos EUA, Donald Trump, no Twitter.

O anúncio foi feito após o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, manter reuniões separadas com os ministros das Relações Exteriores de ambos os países na sexta-feira (23). Durante as conversas, manifestantes de ambos os lados se reuniram em frente ao Departamento de Estado segurando bandeiras e estandartes tanto da Armênia quanto do Azerbaijão.

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Apesar do anúncio promissor, novos combates explodiram na região separatista de Nagorno-Karabakh neste domingo (25/10). Além disso, outros dois acordos de cessar-fogo mediados pela Rússia foram quebrados, levantando questionamentos sobre a promessa de paz entre as nações.

As potências mundiais querem evitar uma guerra mais ampla que envolveria a Turquia, país que expressou forte apoio ao Azerbaijão, e a Rússia, que tem um pacto de defesa com a Armênia. Pouco antes do início das negociações em Washington, o presidente turco, Tayyip Erdogan, disse a repórteres em Istambul que esperava que Moscou e Ancara pudessem trabalhar juntos na resolução do conflito.

Reiterando a demanda turca por um papel na mediação – liderada há muito tempo pelos Estados Unidos, Rússia e França, Erdogan disse: “A Turquia acredita que tem tanto direito quanto a Rússia de se envolver pela paz”. Pompeo, entretanto, chegou a acusar os turcos de alimentarem o conflito ao apoiar o lado azeri. Ancara nega as acusações. 

Cerca de 30.000 pessoas foram mortas na guerra de 1991-94 pelo domínio de Nagorno-Karabakh. Os armênios consideram o enclave como parte de sua pátria histórica. Para os azeris, as terras foram ocupadas ilegalmente e devem ser devolvidas ao seu controle.

*Sob supervisão de Evelyne Lorenzetti