Michelle Obama relata como deixou raiva de lado para transição pacífica nos EUA

No Instagram, ex-primeira-dama descreveu como foi ceder o lugar aos Trump e alertou que o processo de transição ‘não é um jogo’

Kate Bennett, da CNN
17 de novembro de 2020 às 08:47 | Atualizado 17 de novembro de 2020 às 08:48
A ex-primeira-dama dos EUA Michelle Obama
Foto: Kamil Krzaczynski - 13.nov.2018 / Reuters

A ex-primeira-dama dos Estados Unidos Michelle Obama comentou sobre a recusa do presidente Donald Trump em avançar na transição de poder para a próxima gestão. Ela falou sobre a posição em que estava há quatro anos e como persistiu no processo, apesar de ter sido difícil ceder o lugar aos Trump.

“Eu estava magoada e decepcionada. Mas os votos haviam sido contados e Donald Trump tinha ganhado”, escreveu a ex-primeira-dama em uma publicação no Instagram. “Meu marido e eu instruímos nossa equipe a fazer o que George e Laura Bush fizeram por nós: realizar uma transição de poder respeitosa e tranquila, uma das marcas da democracia.” 

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Michelle afirmou também que ela e o então presidente Barack Obama convidaram a equipe de Trump ao seu gabinete. Os funcionários forneceram relatórios detalhados e percepções sobre as experiências dos Obama na Casa Branca.

“Nada disso foi fácil para mim. Donald Trump propagou mentiras racistas sobre mim e meu marido que colocaram a minha família em perigo. Isso não era algo que eu estava disposta a perdoar”, contou a ex-primeira-dama na rede social.

O processo de transição presidencial ainda não começou oficialmente porque Trump se nega a aceitar a vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais dos EUA. É provável que a transição formal permaneça em pausa até que a votação seja certificada por uma pessoa designada por Trump dentro da Administração de Serviços Gerais, em um processo conhecido como verificação.

De uma primeira-dama para outra

Michelle disse também que precisou de “força e maturidade para deixar de lado minha raiva”. Feito isso, convidou Melania Trump, atual primeira-dama dos EUA, à Casa Branca.

Michelle Obama afirmou que respondeu perguntas de Melania que iam desde “o alto escrutínio que vem com o papel da primeira-dama até sobre como é criar os filhos na Casa Branca”. Melania ainda não convidou a mulher de Biden, Jill, para seguir com a tradição.

A cada dia que passa sem o início da transição, a tarefa de preparar a Casa Branca para uma nova primeira família se torna mais difícil. Entre algumas coisas de uma longa lista de tarefas pendentes está o planejamento de mudanças organizacionais, como caminhões de mudança e limpeza. 

O dia da posse é um evento planejado minuto a minuto, que desloca uma família e prepara a seguinte, incluindo trabalhos como estocar as geladeiras e colocar as roupas da primeira-dama no armário.

Michelle alertou que prolongar uma transferência de poder democrática e pacífica não é um risco somente à segurança nacional, mas também à estabilidade da política norte-americana. “Isso não é um jogo”, afirmou. “Nossa democracia é muito maior que o ego de qualquer um.”

(Texto traduzido. Leia o original em espanhol.)