Professora australiana é libertada no Irã em aparente troca de prisioneiros

Kylie Moore-Gilbert, professora presa por mais de 2 anos sob acusação de espionagem foi solta no Irã. Imprensa diz que 3 prisioneiros iranianos serão libertados

Por Nectar Gan, Angus Watson e Ramin Mostaghim, da CNN
26 de novembro de 2020 às 03:25 | Atualizado 26 de novembro de 2020 às 03:27
Bandeira do Irã
Foto: iranflag_reference/ Reprodução Instagram


 

Kylie Moore-Gilbert, uma acadêmica britânica-australiana detida pelo Irã por mais de dois anos sob acusações de espionagem, foi libertada em uma aparente troca de prisioneiros por três iranianos.

Moore-Gilbert, professora de estudos do Oriente Médio na Universidade de Melbourne, estava detida no Irã desde 2018. A mulher de 33 anos foi considerada culpada de espionagem no ano passado e sentenciada a 10 anos de prisão.

Em uma declaração, Moore-Gilbert agradeceu ao governo australiano e outros que fizeram campanha por sua liberdade, descrevendo os últimos dois anos e três meses como "uma longa e traumática provação".
Ela disse que sua saída do Irã foi "agridoce".

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"Eu não tenho nada além de respeito, amor e admiração pela grande nação do Irã e seu caloroso, generoso e corajoso povo", disse Moore-Gilbert em um comunicado divulgado pelo governo australiano.
"Vim para o Irã como amiga e com intenções amistosas, e deixei o Irã com esses sentimentos não apenas intactos, mas fortalecidos."

A agência de notícias estatal iraniana, Young Journalists Club (YJC), relatou que sua libertação foi parte de uma troca de prisioneiros por três empresários iranianos detidos no exterior por supostamente evadir as sanções impostas pelos EUA ao país. A agência não esclareceu a identidade dos liberados.

Em uma entrevista coletiva na quinta-feira, o primeiro-ministro australiano Scott Morrison chamou a libertação de Moore-Gilbert de um "milagre".

“Sempre acreditei em milagres e estou muito grato por este também. Ver Kylie voltando para casa”, disse Morrison.

"Ela é uma mulher extraordinariamente inteligente, forte e corajosa. Ela é uma australiana incrível que passou por uma provação que só podemos imaginar", disse ele.

Morrison disse que falou com Moore-Gilbert no início da quinta-feira, e disse que parecia estar "de muito bom humor". Mas ele reconheceu que seria uma "transição difícil" para voltar para casa e prometeu "tremendo apoio" do governo australiano.

A ministra australiana das Relações Exteriores, Marise Payne, disse em um comunicado que estava "extremamente satisfeita e aliviada" ao ver a libertação de Moore-Gilbert.

"O governo australiano rejeitou sistematicamente os fundamentos pelos quais o governo iraniano prendeu, deteve e condenou o Dr. Moore-Gilbert. Continuamos a fazê-lo", disse ela.