Protesto na França contra violência policial tem confrontos

Manifestantes foram às ruas após morte de um homem negro, que foi espancado por três policiais

Da CNN, em São Paulo
28 de novembro de 2020 às 12:49 | Atualizado 28 de novembro de 2020 às 16:07

 

Após o caso de racismo em que um homem negro, produtor musical, foi brutalmente espancado por três agentes da polícia, pessoas ocuparam as ruas de Paris para realizar um protesto antirracista e contra a violência policial. A cena da agressão contra a vítima, Michel Zecler, circulou pelo mundo todo. O protesto acontece próximo à praça da Bastilha, neste sábado (28), e reúne manifestantes, fotógrafos e a imprensa francesa.

Manifestantes e policiais entraram em confronto. Pessoas atearam fogo, criaram barricadas e diversos veículos foram incendiados enquanto polícias jogavam bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo.

Segundo o Ministério do Interior Francês 46 mil cidadãos participaram das manifestações. Ao todo, nove pessoas foram presas. 

 

Leia também:
Policiais espancam homem negro em Paris e Macron condena ataque: 'vergonhoso'

Algumas das milhares de pessoas que estão na marcha seguram cartazes e faixas. Um deles, diz: “Se não podemos filmar ou fotografar, quem vai nos proteger das violências policiais”.

A frase tem relação com a Lei de Segurança Global, aprovada recentemente na França. A norma prevê uma multa de 45 mil euros a quem filmar policiais durante o exercício de seu trabalho. O presidente Emmanuel Macron afirmou que vai reavaliar o projeto antes de seguir para o Senado. Essa mudança de curso do governo, responsável por elaborar a proposta inicial, acontece depois da divulgação da ação de agressão. 

Carro pegando fogo em protesto contra violência policial (28 nov. 2020)
Foto: Reprodução / CNN


Uma deputada do partido de Macron (A República em Marcha), coautora do projeto de lei, disse que o projeto não vai comprometer de forma alguma o direito dos jornalistas - e dos cidadãos comuns - de informar o público. Ela ressaltou que o artigo 24, que está causando polêmica, proíbe quaisquer apelos por violência ou represálias contra policiais nas mídias sociais.

No entanto, para os manifestantes, entre eles jornalistas, há o temor que isso acabe prejudicando a liberdade de imprensa. 

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, do partido de oposição, postou fotos de integrantes participando dos protestos, demonstrando seu apoio.

Moto pegando fogo nas ruas de Paris (28 nov.2020)
Foto: Reprodução / CNN

No começo da semana, segunda-feira (23), a polícia francesa desmantelou um campo de refugiados em Paris e houve cenas de agressão contra as pessoas. 

Os protestos estão acontecendo, também, em outras cidades francesas. E, apesar da França estar em lockdown, enquanto a lei estiver em discussão, a tendência é que as pessoas continuem nas ruas.

Em junho, milhares de pessoas também ocuparam a rua de Paris contra o assassinato de George Floyd nos Estados Unidos. 

Protesto em Paris contra violência policial (28 nov. 2020)
Foto: Reprodução / CNN

(Publicado por: André Rigue)