Ao menos 110 pessoas são mortas em ataque na Nigéria, diz ONU

Suspeita é de que autores dos crimes sejam militantes islâmicos

Lanre Ola, da Reuters
29 de novembro de 2020 às 23:18
Aldeões enterram vítimas de ataque em Zabarmari, na Nigéria, neste domingo (29)
Foto: @GovBorno/Reprodução

Ao menos 110 pessoas foram mortas durante um ataque neste domingo (29) no estado de Borno, na Nigéria, segundo uma das estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU).

O coordenador humanitário da ONU, Edward Kallon, disse que está "indignado e horrorizado" com "o ataque mais violento" contra civis neste ano.

Neste domingo, aldeões no nordeste de Borno enterraram 43 fazendeiros mortos no ataque por homens que supostamente seriam militantes islâmicos, enquanto forças de segurança seguem procurando por dezenas ainda desaparecidos.

Cerca de 30 homens foram decapitados no ataque, que começou na manhã de sábado (28). Moradores falam em cerca de 70 mortos.

Apesar de nenhum grupo reivindicar o ataque, massacres desse tipo foram realizados na região no passado pelo Boko Haram ou pelo ISWAP. Na região, onde os grupos atuam, militantes islâmicos mataram ao menos 30.000 pessoas.

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O presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, condenou as mortes e afirmou que "todo o país está ferido".

Na cidade de Zabarmari, dezenas de pessoas lamentaram as mortes, que eram envoltos em véus fúnebres brancos e em estrados de madeira, enquanto clérigos rezavam pelos mortos.

A Anistia Internacional diz que dez mulheres estão entre os desaparecidos.

O governador de Borno, Babagana Zulum, falando nos funerais, cobrou do governo federal que recrute mais soldados e forças civis para proteger os fazendeiros locais. 

"De um lado, se eles ficarem em casa, podem morrer de fome. De outro, se forem para as suas fazendas, correm risco de serem mortos pelos insurgentes", afirmou Zulum.

O preço dos alimentos na Nigéria cresceu dramaticamente ao longo do último ano, afetados por inundações, fechamento de fronteiras e pela insegurança em algumas áreas rurais.