Com mais de 7 mil mortes por Covid-19, Suécia diz que não precisa de máscaras

“Máscaras podem ser necessárias em algumas situações. Estas situações não surgiram na Suécia ainda", disse principal epidemiologista do país

Johan Ahlander e Simon Johnson, da Reuters, em Estocolmo
03 de dezembro de 2020 às 14:36
Pedestres caminham em Estocolmo
Suécia é um dos países europeus com maior incidência de Covid-19 na Europa
Foto: TT News Agency/Fredrik Sandberg via REUTERS

"A Suécia ainda não precisa de máscaras", disse uma autoridade de saúde de alto escalão nesta quinta-feira (3), quando as mortes decorrentes da pandemia passaram de 7 mil e um dia depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ampliar as recomendações sobre máscaras.

Na quarta-feira, a OMS disse que, onde a epidemia estiver se disseminando, as pessoas – inclusive crianças e alunos de 12 anos ou mais – deveriam usar máscaras sempre em lojas, ambientes de trabalho e escolas que não têm ventilação adequada e quando receberem visitas em casa em cômodos pouco ventilados.

Mas a Agência Sueca de Saúde, essencialmente contra o lockdown no país, não chegou a recomendar as máscaras, citando os indícios frágeis de sua eficácia e os temores de que estas possam ser usadas como desculpa para as pessoas não se isolarem quanto tiverem sintomas.

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“Máscaras podem ser necessárias em algumas situações. Estas situações não surgiram na Suécia ainda, de acordo com nosso diálogo com (os serviços de saúde das) regiões”, disse Anders Tegnell, o principal epidemiologista sueco, em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira.

Stefan Lofven, Suécia
Primeiro-ministro da Suécia, Stefan Lofven, em uma conferência da União Europeia
Foto: Christian Hartmann - 21.fev.2020/Reuters

“Todos os estudos até agora sugerem que é muito mais importante manter a distância do que ter uma máscara”, disse.

Na tentativa de conter uma segunda onda, o primeiro-ministro, Stefan Lofven, anunciou nesta quinta-feira que as escolas de segundo grau adotarão o ensino virtual pelo resto do ano.