Enquanto EUA anunciam novas sanções, China se mostra aberta a melhorar relação

Ministro das Relações Exteriores pede fim de "preconceitos ideológicos" e prega aproximação com EUA, enquanto Trump impõe novas sanções a órgãos do país

Por Ben Westcott, da CNN
08 de dezembro de 2020 às 03:54 | Atualizado 08 de dezembro de 2020 às 03:59
Presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado do presidente da China, Xi Jinping
Presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado do presidente da China, Xi Jinping
Foto: Kevin Lamarque/Reuters


O ministro das Relações Exteriores da China diz que Pequim está aberta para reiniciar seu relacionamento com os EUA, declarando que os dois países estão em uma "conjuntura histórica crítica" após um ano de tensões crescentes.

Em um discurso em vídeo no Conselho Empresarial EUA-China na segunda-feira (7), Wang Yi disse que a política dos EUA para a China precisava retornar à "objetividade e racionalidade", de acordo com uma transcrição publicada no site do Ministério das Relações Exteriores chinês.

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"(Devemos) nos esforçar para reiniciar o diálogo, voltar ao caminho certo e reconstruir a confiança mútua na próxima fase das relações sino-americanas", disse Wang. Ele culpou as crescentes divisões entre os EUA e a China em alguns americanos com "mentalidade desatualizada da Guerra Fria e preconceitos ideológicos".

"A chave é respeitar um ao outro. Respeitar a herança histórica e cultural de cada um, respeitar os interesses centrais e as principais preocupações uns dos outros e respeitar as escolhas uns dos outros", disse Wang.

O conselho é uma organização sem fins lucrativos que representa os interesses de mais de 200 empresas americanas que fazem negócios na China.

O discurso de Wang ocorre enquanto o governo Trump continua a promover uma série de medidas punitivas contra o governo chinês. Em sua última ação na segunda-feira, o Departamento de Estado dos EUA anunciou novas sanções contra 14 funcionários do principal órgão legislador da China, o Comitê Permanente do Congresso Nacional do Povo (NPCSC na sigla em inglês), por conta de uma lei de segurança nacional imposta ao centro financeiro de Hong Kong.

Desde que a lei - que proíbe a secessão, subversão, atividades terroristas e conluio com potências estrangeiras - entrou em vigor em junho, a cidade viu prisões em massa e restrições à liberdade de expressão, enquanto vários ativistas fugiram.

O Departamento de Estado disse que estava sancionando os 14 oficiais chineses por ligação com o "desenvolvimento, adoção e implementação" da lei de segurança nacional. Todos eles serão proibidos de viajar para os Estados Unidos, junto com suas famílias, enquanto quaisquer bens mantidos nos Estados Unidos ou sob controle de pessoas em solo americano serão bloqueados.

No entanto, o presidente do NPCSC, Li Zhanshu - um aliado próximo do líder chinês Xi Jinping e membro do poderoso comitê permanente do Partido Comunista - não estava entre os listados.

"Nossas ações hoje ressaltam que os Estados Unidos continuarão a trabalhar com nossos aliados e parceiros para responsabilizar Pequim por minar a autonomia prometida por Hong Kong", disse o departamento.

Os EUA também estão prestes a promulgar a Holding Foreign Companies Accountable Act, lei que impediria as empresas que se recusassem a abrir seus livros aos reguladores contábeis americanos de negociar nas bolsas de valores americanas - uma medida destinada às principais empresas chinesas listadas no país.