Líderes da UE defendem meta climática mais rígida para 2030

Meta visa a colocar a União Europeia no caminho certo para alcançar emissões líquidas zero até 2050

Kate Abnett, da Reuters
11 de dezembro de 2020 às 16:35
Bandeira da União Europeia
Bloco pretende cortar emissões líquidas de gases de efeito estufa em 55% até 2030
Foto: Pixabay

Os países da União Europeia fecharam um acordo sobre a nova meta climática do bloco nesta sexta-feira (11), depois de passarem a madrugada discutindo em uma cúpula em Bruxelas. Com o anúncio, o bloco aciona uma reforma política para tornar todos os setores mais verdes.

Os líderes do bloco de 27 países concordaram em cortar suas emissões líquidas de gases de efeito estufa em pelo menos 55% até 2030, em relação aos níveis de 1990, elevando a meta de corte de 40% nesta década.

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A nova meta visa a colocar a UE no caminho certo para alcançar emissões líquidas zero até 2050, um prazo que os cientistas dizem que o mundo deve cumprir para evitar os impactos mais catastróficos das mudanças climáticas.

“A Europa é líder na luta contra as alterações climáticas. Decidimos cortar nossas emissões de gases de efeito estufa [...] em pelo menos 55% até 2030”, declarou em um tuíte o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, que comandou as negociações. “Isso nos coloca em um caminho claro para a neutralidade climática em 2050”, afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Para a União Europeia, o acordo oferece uma chance de afirmar sua liderança climática no cenário global. A UE apresentará sua meta em uma cúpula virtual de líderes mundiais das Nações Unidas no sábado (12).

A meta é um compromisso político conquistado a duras penas entre os países mais ricos, principalmente os do oeste europeu e os nórdicos, que desejam uma ação climática mais ambiciosa, e os países do leste, com setores de energia dependentes de carvão e indústrias intensivas em energia que desejam condições específicas associadas a cortes de emissões.

A Polônia resistiu sozinha até o amanhecer para um acordo que garantiria que o financiamento prometido pelo mercado de carbono da UE para os países mais pobres não seria reduzido.

Também buscou garantias de que as futuras metas nacionais de redução de emissões, estabelecidas pelo governo em Bruxelas para certos setores, seriam baseadas no PIB, o que significa que as nações menos prósperos seriam obrigados a cortar menos.

A maioria dos países se opôs a essas demandas, alegando que iria antecipar propostas políticas detalhadas que a Comissão Executiva da UE fará para cumprir a meta.

Essas propostas irão reformar o mercado de carbono da UE, acelerar uma mudança para veículos elétricos e mobilizar os enormes investimentos de baixo carbono necessários – cerca de 350 bilhões de euros (R$ 2,150 trilhões) por ano nesta década.

(Reportagem adicional de Andreas Rinke em Berlim e John Chalmers em Bruxelas; Edição de John Chalmers e Kenneth Maxwell)

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original)