Trump cogitou demitir procurador-geral William Barr em reunião

Presidente americano critica fato de investigação sobre filho de Biden não ter sido divulgada durante eleição, além de falas sobre ausência de fraude em eleição

Por Kevin Liptak e Jamie Gangel, da CNN
14 de dezembro de 2020 às 02:43 | Atualizado 14 de dezembro de 2020 às 03:33
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
Foto: REUTERS


O presidente Donald Trump levantou a possibilidade de demitir o procurador-geral dos Estados Unidos, William Barr, em uma reunião na última sexta-feira, mas não está claro se ele pretende demitir Barr antes do final de seu mandato no mês que vem.

Uma fonte afirmou à CNN americana que Trump ficou furioso na reunião com conselheiros na Casa Branca porque Barr havia trabalhado para impedir que a investigação federal sobre os impostos de Hunter Biden se tornasse pública antes da eleição de novembro.

Trump também ficou chateado com os relatos de que Barr estava considerando deixar o governo antes de 20 de janeiro.

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Na reunião, o presidente americano disse às autoridades que considera seriamente a substituição de Barr, mas se ele realmente vai em frente com a mudança ainda é uma incógnita. Trump foi aconselhado por consultores nos últimos meses a não fazê-lo.

Trump passou a manhã de sábado emitindo tuítes furiosos sobre seu procurador-geral - em um caso, compartilhando uma postagem que encorajou a demissão de Barr. Mas o presidente também passou a maior parte do ano furioso com o antecessor de Barr, Jeff Sessions, antes de despedi-lo, então não está claro se sua raiva se manifestará em uma demissão imediata.

Barr decidiu, por enquanto, ficar até o final do mandato de Trump, a menos que ele pense que o presidente vai demiti-lo, de acordo com uma fonte, que na sexta-feira descreveu um sério colapso na comunicação, dizendo que o "relacionamento é uma Guerra Fria".

"Barr não pode ser intimidado por Trump. Esta é a história real. Nada disso importa - é o rei deposto reclamando. Irrelevante para o curso da justiça e para a derrota eleitoral de Trump", disse a fonte no sábado após os tweets de Trump.

Trump e Barr tiveram uma reunião longa e "contenciosa" dentro da Ala Oeste na semana passada, de acordo com outra fonte.

Trump ficou frustrado na época com Barr por causa de seus comentários recentes de que o Departamento de Justiça não havia encontrado evidências de fraude eleitoral generalizada.

Seguiram-se relatórios de que Barr estava pensando em deixar seu posto antes de Trump deixar o cargo.

Uma fonte com conhecimento do assunto disse à CNN que Barr está insatisfeito com Trump e que o procurador-geral "não é alguém que sofre bullying e dá a outra face".

O presidente se recusou na última quinta-feira a dizer se tinha confiança em Barr, um sinal do desgaste na relação.

A CNN informou no início desta semana que as autoridades federais estão agora investigando ativamente as negociações comerciais de Hunter Biden em países estrangeiros, principalmente na China. Seu pai, o presidente eleito Joe Biden, não está implicado.

A atividade na investigação se tornou encoberta nos últimos meses devido às diretrizes do Departamento de Justiça que proíbem ações abertas que poderiam afetar uma eleição, disse uma pessoa com conhecimento da investigação à CNN.