Presidente do Uruguai decide fechar fronteiras do país para conter a Covid-19

Presidente Luis Lacalle Pou alertou sobre 'crescimento exponencial' da Covid-19 no país e enviou pacote de medidas ao Congresso

Da Reuters
17 de dezembro de 2020 às 01:09 | Atualizado 17 de dezembro de 2020 às 15:38


 

O governo do Uruguai decidiu, nesta quarta-feira (16), fechar as fronteiras do país e limitar as reuniões a fim de conter o "crescimento exponencial" dos casos de Covid-19.

O presidente Luis Lacalle Pou anunciou que enviará nas próximas horas um projeto de lei ao Congresso que trará detalhes sobre o tamanho aceito para reuniões entre pessoas no fim do ano.

O fechamento das fronteiras foi anunciado para ocorrer entre 21 de dezembro e 10 de janeiro, exceto para o transporte de cargas e para quem já tem alguma passagem comprada até esta quarta.

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O governo havia planejado fazer esses anúncios na sexta-feira, mas a aceleração das infecções, com um pico de 536 casos no domingo, fez adiantar a reunião do Conselho de Ministros em dois dias.

“Não podemos comprometer o que foi alcançado”, disse Rafael Radi, coordenador do Grupo de Assessoria Científica Honorária do Governo (GACH), que garantiu que a região mais comprometida do país é a capital e a região metropolitana, onde já existe uma “circulação comunitária” do vírus.

Na quarta-feira, o país sul-americano registrou 476 novos casos, quatro mortes e, pela primeira vez desde o início da pandemia, o vírus atingiu todos os departamentos. Desde 13 de março, o Uruguai registrou 10.893 casos positivos e 102 mortes.

A propagação do contágio pelo território levou também o governo a tentar reduzir a mobilidade das pessoas no interior para as férias de verão, para o que limitou a capacidade de transporte em 50% da sua capacidade até 10 de janeiro.

Fernando Paganini, um dos cientistas do GACH, disse em entrevista coletiva que há um “crescimento exponencial” de casos e que a projeção da tendência atual mostra que o Uruguai chegará a 1.200 casos por dia até o final do ano, o que põe em risco a resposta do sistema de saúde.

Com essa quantidade de infecções, a ocupação de leitos de terapia intensiva chegaria a 120, número inédito até agora.